Pandemia deixou “portas e janelas escancaradas” das empresas ao risco de cibersegurança

As empresas têm de investir na sua resposta aos ataques cibernéticos, uma vez que não vão conseguir evitar todas as intrusões. Para isso, deve haver uma aposta na formação e treino das organizações.

A pandemia de Covid-19 obrigou muitas empresas a adotar o sistema de teletrabalho durante os últimos dois anos, deixando os seus sistemas vulneráveis a ataques cibernéticos. Esta tem de ser uma preocupação do tecido empresarial, que garante estar a preparar-se para esta ameaça, ao mesmo tempo que aposta na digitalização e inovação dos seus modelos de negócio.

“Fruto da necessidade de reagirmos à crise pandémica, tivemos de nos reinventar rapidamente” e de adotar o teletrabalho, afirmou Armindo Monteiro, vice-presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), na conferência “Desafios da Transição Digital” promovida esta sexta-feira pelo Jornal Económico.

“As empresas escancaram as portas e janelas e o risco de cibersegurança aumentou”, referiu o responsável, notando que isto aconteceu não só ao nível das empresas mas também do Estado. Os trabalhadores começaram a aceder aos sistemas a partir de casa, criando-se fragilidades. Jorge Portugal, diretor executivo da COTEC, realçou mesmo que 70% das intrusões bem-sucedidas estão relacionadas com falhas internas.

Mas quão preparadas estão as empresas para combater estes riscos? “Não vamos conseguir evitar a 100%”, por isso a “aposta tem de ser: como prevenir?”, referiu Cristina Cabral Ribeiro, managing partner da CCR Legal, revelando que o escritório de advogados já foi alvo de várias tentativas de intrusão. “Queremos avançar, modernizar mas temos de ter cuidado”, alertou.

“Diria que o estado de preparação [para ataques cibernéticos] tem muito a ver com a forma como entendemos as várias dimensões do sistema social e económico”, disse, por outro lado, Jorge Portugal, inclusive a infraestrutura tecnológica, os processos em torno desta, as pessoas e as suas práticas e a governance da organização.

“Vemos que cada um destas camadas está sob pressão no sentido de haver progresso técnico notável, mas ao mesmo tempo, por cada passo que damos, abrimos novos vetores de ameaça”, disse o diretor executivo da COTEC, explicando que é “neste equilíbrio (…) que reside o resultado da equação se estamos preparados”.

As empresas estão a dar estes passos de maneira a estarem preparadas para estas novas ameaças. Marco Galinha, presidente do grupo BEL, garante que o trabalho está a ser feito na Global Media. “A transição digital é uma coisa praticamente obrigatória”, disse, considerando que é uma “oportunidade única”, apesar de os clientes “hoje ainda não perceberem e não quererem pagar esse preço”. Além disso, “temos sempre de olhar para a cibersegurança e para a digitalização com a mesma importância, 50/50”.

O mesmo está a ser feito no turismo e hotelaria. “Já investimos muito e queremos continuar a investir na transição digital”, afirmou Gonçalo Marques Oliveira, CIO do Pestana Hotel Group. No grupo, explicou, a aposta passa pelo conhecimento do cliente e promoção da fidelização, mas também pelos vários canais onde as pessoas deixam hoje as suas opiniões sobre os destinos ou os hotéis para onde vão.

Além disso, o foco está também virado para a digitalização das operações e para a análise de dados. “É importante saber quem são os meus públicos”, referiu, apontando ainda para a cibersegurança e para segurança dos dados.

É ainda, contudo, preciso investir mais na formação das pessoas. “Há um super investimento em tecnologia de proteção, mas o mesmo investimento já não se verifica na governance e muito menos na formação e treino das pessoas”, realçou Jorge Portugal, diretor executivo da COTEC. Nesse sentido, rematou, “a questão da preparação das organizações assume um papel decisivo”.

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