Panorama geopolítico influência mercados

É, para já, uma crise sem precedentes pelo que se torna completamente imprevisível percebermos quando se restaurará a normalidade nos mercados financeiros.

Continua muito sensível o sentimento dos investidores mundiais. No atual panorama geopolítico, qualquer notícia relativa a movimentações dos principais países envolvidos gera grandes movimentos nos mercados financeiros. Com o petróleo à cabeça, a escalada do conflito entre Rússia, Turquia, Síria e ISIS causará grande turbulência nos principais activos.

De resto, a subida do preço do petróleo tem levado a alguns ajustamentos nos preços de acções e índices.

É, para já, uma crise sem precedentes pelo que se torna completamente imprevisível percebermos quando se restaurará a normalidade nos mercados financeiros.

Ainda devido às correções em alta do preço do ouro-negro, alguns índices mundiais registaram boas valorizações com a subida das cotadas mais correlacionadas com a matéria-prima, suficientes para compensar as perdas nos restantes sectores. A portuguesa Galp, desde a abertura de ontem, já valorizou quase 2,5%.

Destacamos ainda a nota positiva para os três maiores bancos nacionais. CGD, BPI e BCP passaram no exercício de transparência da Agência Bancária Europeia. Os rácios de capital robustos contribuíram para esta nota revelando o esforço das instituições no reforço de capitais próprios, nos últimos anos. No caso do BCP, o rácio Commom Equity Tier 1 ficou mesmo acima da média europeia. Ainda assim, ficou a nota relativa à necessidade de continuação na melhoria da qualidade de crédito destas instituições.

Ações

Hewlett-Packard: Em outubro a empresa procedeu a uma cisão dos seus activos, formando duas novas empresas: a Hewlett-Packard Enterprise, uma empresa de IT e a HP, produtora de impressoras e computadores. Após a operação ser efectuada, a HPE caiu 17% para 13.81 dólares/ação, estando a cotar agora próximo dos mínimos de 2012.

Whitman, a CEO da HPE, revelou que o as receitas da empresa cresceram pelo terceiro mês consecutivo desde que foi implementada esta alteração, o que conjuntamente com uma zona de suporte muito consolidada no preço actual nos conduz a uma perspectiva optimista sobre a HPE para o futuro próximo.

Sessão Europeia

As principais praças europeias abriram em alta depois de alguns dias de receios, que provocaram a queda dos mercados. A sessão europeia de ontem fechou mista, no entanto, o mercado norte-americano encerrou em terreno positivo o que impulsionou para esta abertura positiva do dia de hoje. A tensão geopolítica poderia ter agravado os mercados mas o anúncio de distribuição de dividendos impulsionaram os ganhos.

O PSI 20 segue em tendência com as outras praças europeias abrindo a valorizar depois de alguns dias negativos. Portugal vai hoje ao leilão  de dívida pública, depois de António Costa ser indigitado primeiro ministro. O sector bancário segue misto, com o BCP a ser o único título em terreno positivo. A valorizar estão também as cotadas da Impresa, Galp, Teixeira Duarte e Jerónimo Martins. Em sentido contrário estão os títulos da EDP, CTT e Mota Engil, com variações muito ligeiras.

Sessão Asiática

As ações japonesas caíram na madrugada de quarta-feira e acabaram assim com uma série de cinco sessões positivas. Os investidores realizaram os seus lucros e vão manter-se cautelosos devido a tensões geopolíticas que danificam o apetite pelo risco. O iene forte também vem ferir o sentimento e acaba por arrastar para baixo os exportadores e a indústria financeira.

O Nikkei caiu 0,4% para terminar o dia nos 19.847,58 pontos, acabando assim com ganhos anteriores. O Topix caiu 0,7% e fechou nos 1.594,67 pontos.

Nas restantes praças asiáticas vimos a China no verde com os seus índices de referência, Shanghai Composite e o CSI300 a fecharem com variações de 0,88% e 0,74% respectivamente.

Na Coreia do Sul, o Kospi caiu cerca de 0,34% e na Austrália vimos o S&P a cair 0,63%, no entanto, não foram quedas significativas.

Análise técnica e fundamental

Matérias-primas – Gold

Devido aos conflitos geopolíticos iniciados no dia com abatimento do avião de guerra russo por parte das forças militares turcas, vimos o ouro a disparar em alta, visto se tratar de um activo de refúgio. No entanto, este movimento foi travado pela resistência dos 1079 dólares, sendo que agora a estratégia junto a este metal precioso, será aproveitar esta correção em alta para entrarmos novamente dentro da tendência de queda inerente ao activo. O facto de já estarmos a ter uma sessão forte em USD Index vem ainda mais reforçar esta ideia de estarmos curtos em ouro, até pelo menos ao suporte dos 1066 dólares.

Por Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal 

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Lá fora, as principais praças europeias negociaram maioritariamente em terreno positivo. O FTSE 100 valorizou 0,32%, o CAC 40 ganhou 0,08%, e o DAX apreciou 0,01%. O espanhol IBEX 35 manteve-se estável.