Para onde foi todo o dinheiro impresso?

Como é que um banco central aumenta o ritmo de expansão monetária para mais do dobro do que era considerado “normal” e a inflação se mantém contida?

Nos últimos dez anos o balanço da Reserva Federal (Fed) aumentou mais de quatro vezes. No final de 2007, o banco central norte-americano tinha um total ativo de menos de 1 bilião de dólares e hoje tem 4,4 biliões. Para termo de comparação, nos dez anos precedentes a 2007, o total ativo cresceu a um ritmo médio de cerca de 6,7% ao ano, que fez com que aumentasse de cerca de 480 mil milhões de dólares para pouco menos que 1 bilião nesse período. Ou seja, o ritmo de expansão monetária do dólar americano mais que dobrou nos dez anos após a crise de 2007, quando comparado com os dez anos precedentes.

Depois de a Fed ter aumentado pela terceira vez este ano as taxas de juro de referência, suportando a decisão com a melhoria das condições do mercado de trabalho, e de sinalizar mais três subidas para 2018 apesar de a inflação continuar relativamente contida, é altura de questionar: para onde foi todo o dinheiro impresso pela Reserva Federal desde 2007? Como é que um banco central aumenta o ritmo de expansão monetária para mais do dobro do que era considerado “normal” e a inflação se mantém contida? Parte da resposta está no próprio balanço.

Uma das linhas das responsabilidades da Fed (que contrabalançam o total ativo), que mais aumentou nesse período foi o Excesso de Reservas dos bancos norte-americanos. O Excesso de Reservas é o montante que os bancos mantêm depositado no banco central para além das reservas mínimas que são exigidas pelo regulador como segurança face aos depósitos que os bancos detêm dos clientes. O Excesso de Reservas dos bancos norte-americanos aumentou de basicamente zero no final de 2007 (tempos de outra confiança e em que o Excesso de Reservas não era remunerado), para mais de 2,2 biliões de dólares hoje. Isto significa que mais de 60% dos 3,5 biliões impressos pela Fed desde 2007 ainda não chegou à economia real. Ou se passou por lá, voltou rapidamente para os cofres desta…

Isto não quer no entanto dizer que estes 2,2 biliões de dólares não venham um dia a voltar à economia real. Os bancos escolhem mantê-los junto do banco central por uma questão comercial. Sentem que as taxas de juro que recebem ao emprestá-los aos clientes não compensa o risco de crédito, ou acham que o consumo de capital dos empréstimos excessivo.

Mas esse sentimento pode rapidamente melhorar se alguma das variáveis mudar. Do lado dos reguladores, parece por enquanto improvável que relaxem as exigências de capital. As taxas de juro praticadas no mercado de crédito devem subir mais um pouco durante 2018. É no entanto do lado da percepção de risco de crédito que a maior mudança pode surgir. Irão os bancos norte-americanos tornar-se mais optimistas durante 2018, abraçar o risco e conceder mais crédito? Esta vai ser uma das questões chave para 2018 visto que várias condições necessárias parecem estar reunidas para que tal aconteça.

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