Parlamento decide hoje se vai ouvir diretora-adjunta de informação e diretor de programas da RTP sobre reportagem do lítio

Por entender ser necessários mais esclarecimentos, o grupo parlamentar do PSD submete esta quarta-feira para apreciação e votação o requerimento para “audição urgente” de mais funcionários da direção da RTP, bem como da comissão de trabalhadores.

A Assembleia da República vai decidir esta quarta-feira, 11 de dezembro, se chamará ao Parlamento a diretora-adjunta de informação da RTP, Cândida Pinto, o diretor de programas da RTP, José Fragoso, e a comissão de trabalhadores da estação de radiotelevisão pública, para reunir mais informação sobre a decisão do canal em adiar a emissão do programa Sexta às 9. Em causa está a transmissão da reportagem que veio a expor irregularidades no processo de concessão da exploração de lítio em Montalegre, que deveria ter ido para o ar em 13 de setembro, mas por decisão da direção de informação só foi transmitido no dia 11 de outubro – a semana seguinte às eleições.

O presidente da RTP, Gonçalo Reis, bem como a diretora de informação da estação, Maria Flor Pedroso, e a jornalista e coordenadora do “Sexta às 9”, Sandra Felgueiras, foram ouvidos pela comissão de Cultura e Comunicação no dia 4 de dezembro. Contudo, por entender ser necessário mais esclarecimentos, o grupo parlamentar do PSD submete hoje para apreciação e votação o requerimento para audição urgente de mais funcionários da direção da RTP.

Na primeira audição sobre o polémico adiamento da emissão do Sexta às 9, tornou-se clara e visível uma divergência de posições entre a direção de informação do canal público e a coordenação do “Sexta às 9”, por causa dos motivos que levaram à suspensão do programa em plena campanha eleitoral. Contudo, Gonçalo Reis garantiu manter a sua confiança na atual direção de informação da RTP e na jornalista Sandra Felgueiras, coordenadora do programa em causa.

No Parlamento, Sandra Felgueiras deu a entender que o programa não foi transmitido porque a direção de informação da RTP não quis emitir o programa incómodo para o Governo em época eleitoral. “Se me perguntam diretamente se era possível fazer o programa Sexta às 9 durante o mês de setembro, a minha resposta é ‘sim, era possível com o lítio'”, disse então Sandra Felgueiras.

A jornalista da estação pública explicou que na direção de informação da RTP comunica com Maria Flor Pedroso (diretora) e Cândida Pinto (diretora-adjunta), reportando semanalmente à diretora-adjunta “tudo” o que faz e o que tem “em linha de vista”. “Eu comuniquei naturalmente à Cândida Pinto em julho que este [o lítio] seria o tema de andamento e de prossecução. Objetivamente, a reportagem que iria ser emitida dia 13 de setembro era a reportagem do lítio, era isto que estava previsto”, detalhou.

“Foi-me dito que iria haver ajustes em função da campanha eleitoral. O que eu reparo e que vejo é que de facto os ajustes que houve foi apenas no dia 06 [de setembro]. No dia 13 não houve nada, no dia 28 houve um programa Eu, cidadão, curiosamente feito por Cândida Pinto, dia 26 não houve nenhum especial sobre Tancos apesar de o programa Sexta às 9 ter sido o amplo difusor de um caso que o Ministério Público acabou por confirmar em acusação pública”, detalhou a jornalista.

Depois de Sandra Felgueiras, os deputados ouviram a diretora de informação da RTP, Maria Flor Pedroso, que rejeitou a ideia de suspensão ou de qualquer interferência do Governo e justificou a alteração na programação da RTP com a programação eleitoral e, também, por não ter sido dito que havia notícia.

“Eu trabalho em jornalismo há 26 anos. Isto são as chamadas pressões. O jornalismo político é um jornalismo em que nós somos pressionados constantemente por fontes várias. Interferência? Seria coisa que eu jamais toleraria. Eu e a equipa que dirijo”, disse Maria Flor Pedroso.

Reportagem sobre lítio divide direção de informação da RTP e Sandra Felgueiras

Relacionadas

Reportagem sobre lítio divide direção de informação da RTP e Sandra Felgueiras

Parlamento ouviu presidente e direção de informação da RTP, bem como a jornalista Sandra Felgueiras, para saber o porquê de uma reportagem do “Sexta às 9” ter sido adiada para depois das eleições legislativas. O programa, que veio a expor irregularidades no processo de concessão da exploração de lítio em Montalegre, deveria ter ido para o ar em 13 de setembro, mas por decisão da direção de informação só foi transmitido no dia 11 de outubro – a semana seguinte às eleições.

Maria Flor Pedroso: “Não chegou a informação de que havia notícia sobre o lítio”

A diretora de informação da RTP, Maria Flor Pedroso, disse esta terça-feira que “não chegou a informação de que havia notícia” sobre o lítio à direção da estação, referindo-se ao adiamento do programa ‘Sexta às 9’.

Parlamento vai ouvir jornalista e presidente da RTP sobre adiamento do programa ‘Sexta às 9’

Em causa está o adiamento da emissão de um episódio do ‘Sexta às 9’, que veio expor irregularidades no processo de concessão da exploração de lítio em Montalegre, para depois das eleições legislativas.
Recomendadas

Restaurantes da AHRESP vão assegurar alimentação dos peregrinos da Jornada Mundial da Juventude

A AHRESP vai apoiar a Fundação na “definição das regras de funcionamento da rede de restaurantes e similares que irão assegurar o fornecimento de refeições para os participantes da Jornada Mundial da Juventude e contactar restaurantes e similares para promover a sua adesão à rede, bem como promover o uso do Guia de Boas Práticas da Restauração e Bebidas junto da rede”, lê-se no comunicado.  

Complemento excecional a pensionistas: SNQTB remeteu nova carta ao Primeiro-Ministro

Depois do OE2023 ter sido aprovado o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários diz que “o Partido Socialista mantém a injustiça em relação aos bancários reformados que foram indevidamente excluídos da atribuição do complemento excecional a pensionistas”.

PremiumRede 5G, um ano e quatro mil antenas depois

Portugal arrancou com a tecnologia de quinta geração a 26 de novembro. NOS, a primeira a lançar, revela que conta com 3.200 estações instaladas.
Comentários