Parlamento italiano dissolvido, Beppe Grillo lidera sondagens

Movimento 5 Estrelas, do comediante Beppe Grillo, está à frente nas sondagens. Partidos tradicionais não conseguem conter os eurocéticos.

Guglielmo Mangiapane/Reuters

A crise italiana – que se estende pelas dificuldades com a dívida soberana mas também com o péssimo estado do setor financeiro – teve ontem mais um episódio que não surpreendeu ninguém: o presidente italiano, Sergio Matarella, assinou o decreto para dissolver o parlamento, após ter reunido com o primeiro-ministro Paolo Gentiloni. Desde 2012 que a Itália passa por sucessivas crises políticas, agravadas pelas dificuldades inerentes às dificuldades com a gestão da dívida soberana e que têm feito com que sucessivos primeiros-ministros (Mario Monti foi o primeiro da lista) tenham as maiores dificuldades em manter governos que durem uma legislatura.

Segundo avançava ontem a agência Reuters, as eleições realizar-se-ão em 4 de março de 2018 por decisão do governo, que passa agora a regime de gestão – o que só servirá, segundo os analistas, para aumentar os problemas do país. A decisão da dissolução do parlamento foi comunicada após reuniões entre Mattarella, o primeiro-ministro e os presidentes da Câmara dos Deputados, Laura Boldrini, e do Senado, Pietro Grasso. O parlamento tinha sido eleito em fevereiro de 2013.

Itália escapou por muito pouco a uma intervenção semelhante à que sucedeu em Portugal – e há muitos analistas que consideram que essa intervenção, ou uma semelhante à espanhola, que incidiu apenas sobre o sistema financeiro, teria sido um mal menor. Ou teria sido, ao menos, melhor que a crise política que já leva quase cinco anos de existência e não tem fim à vista.

Até porque as expectativas para as próximas eleições não são as melhores, pelo menos do ponto de vista do bom entendimento entre o país e a União Europeia: as sondagens mais recentes indicam que o Movimento 5 Estrelas está em primeiro lugar nas intenções de votos. Beppe Grillo, comediante, e Gianroberto Casaleggio, ativista político, líderes do movimento, têm vindo a contar com a confiança de cada vez mais italianos – que se consubstanciou nas últimas eleições municipais na eleição de Virgina Raggi para presidir à cidade de Roma. Na segunda posição encontra-se o Partido Democrático, de Paolo Gentiloni, seguido do Forza Italia de Silvio Berlusconi, que se juntou com os regionalistas da Liga do Norte. Mas Paolo Gentiloni lidera um partido que ainda não encontrou suficiente estabilidade interna para consolidar uma posição sustentada no seio da sociedade italiana.

Em sete décadas de democracia, a Itália já teve 64 governos. Desde 2013, a Itália teve três primeiros-ministros: Enrico Letta, Matteo Renzi e Paolo Gentiloni, todos do Partido Democrata.

Economia difícil

A economia tem-se ressentido deste clima de incerteza induzido pela instabilidade política – apesar de o país ter um longo historial (desde o fim da II Grande Guerra) de instabilidade com que os italianos aprenderam a viver.

Mas, desta vez, a crise coincidiu com o ‘subprime’, o que fez com que o sistema financeiro tivesse vacilado fortemente. Desde a primeira hora que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu detetaram as dificuldades do sistema e sinalizaram o problema com uma série de medidas para estancar a endemia das falências.

De qualquer modo, o primeiro-ministro afirma que o Orçamento para 2018 está assumido, e que a dissolução do parlamento não é o aprofundar da crise.

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