Partido Comunista Chinês substitui representante em Xinjiang alvo de sanções dos EUA

O Partido Comunista Chinês (PCC) substituiu o seu representante em Xinjiang, região autónoma que vários países ocidentais dizem ser palco de graves violações dos direitos humanos, sobretudo contra membros da minoria muçulmana uigur.

O Partido Comunista Chinês (PCC) substituiu o seu representante em Xinjiang, região autónoma que vários países ocidentais dizem ser palco de graves violações dos direitos humanos, sobretudo contra membros da minoria muçulmana uigur.

O atual representante do PCC, Chen Quanguo, de 66 anos e antigo soldado do Exército de Libertação Popular, era desde agosto de 2016 o mais alto dirigente daquele território, que ocupa uma área quase 18 vezes superior à de Portugal.

Chen Quanguo era desde 2020 alvo de sanções por parte dos Estados Unidos e será substituído por Ma Xingrui, que até agora governava a província de Guangdong, no sul da China.

Após a nomeação de Chen, surgiram rumores da existência de campos de trabalho, que Pequim inicialmente negou.

Antes de ser responsável pela região de Xinjiang, Chen Quanguo ocupou o mesmo cargo de secretário do PCC no Tibete, entre 2011 e 2016, tendo-se destacado por restaurar a ordem na sequência de protestos e uma série de imolações por parte de monges budistas.

Os EUA garantem que durante os mandatos dos últimos governadores de Xinjiang foram detidos em campos de reeducação, sob forte vigilância, um milhão de uigures, uma minoria de origem muçulmana, além de membros de outros grupos étnicos da região.

Nos últimos anos, surgiram denúncias de alguns uigures que vivem no estrangeiro sobre a situação das minorias muçulmanas na região.

Em março, União Europeia (UE), Reino Unido, EUA e Canadá, entre outros, anunciaram sanções contra várias autoridades chinesas, por alegadas violações dos direitos humanos em Xinjiang, que Pequim nega, juntamente com representantes do governo da província, sustentando que os referidos campos são “centros de formação profissional”, onde se “aprende mandarim, noções de direito e um ofício”.

Por sua vez, organizações como a Amnistia Internacional (AI) ou a Human Rights Watch (HRW) alertaram para os abusos, torturas e mortes sob custódia nestes campos.

As organizações não-governamentais (ONG) também denunciaram que os muçulmanos em Xinjiang não podem praticar a sua fé livremente.

As restrições impostas aos jornalistas nesta região são múltiplas e aqueles que viajam para Xinjiang estão sujeitos a uma vigilância e ações de intimidação contínuas, denunciou o Clube de Correspondentes Estrangeiros na China no seu último relatório.

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