Paulo Raimundo unânime assume liderança do PCP e apresenta-se este domingo

O novo líder do PCP irá encerrar a Conferência Nacional, no seu primeiro discurso na qualidade de secretário-geral comunista.

Depois de ter sido assumido que o nome proposto pela direção para suceder a Jerónimo de Sousa foi recebido por alguns elementos deste órgão com surpresa, Raimundo, 46 anos, obteve a unanimidade. De acordo com o partido, Raimundo “entendeu não votar”.

O novo líder do PCP irá encerrar a Conferência Nacional, no seu primeiro discurso na qualidade de secretário-geral comunista.

Paulo Raimundo assume a liderança de um partido que cerra fileiras e que apela à mobilização nas ruas e nas organizações sindicais e sociais para reunir “as tropas”.

O PCP pretende aproveitar todas as oportunidades para ser oposição e demonstrar o descontentamento com as políticas que estão mais inclinadas “para a direita”, nas palavras de Jerónimo de Sousa.

No primeiro dia da Conferência Nacional, e num contexto de maioria absoluta socialista, num parlamento onde o PCP só tem seis deputados, o PS voltou a ser o alvo dos comunistas, no mesmo plano da “direita”.

Ainda no papel de líder, Jerónimo de Sousa pronunciou-se contra um PS a fazer “costas com costas” com o PSD, o CDS, a IL e o Chega “no que era decisivo para garantir os interesses do grande capital”.

E o ex-líder parlamentar, João Oliveira, que geriu a atividade da bancada do partido no tempo da “Geringonça”, a que o PCP se refere como “nova fase da vida nacional”, endureceu o discurso ao defender uma rutura total com o Partido Socialista.

Dirigentes nacionais, regionais e setoriais apelaram à mobilização para “tomar a iniciativa” de liderar as lutas em torno dos problemas concretos das populações.

O aumento do custo de vida, os baixos salários, a falta de professores na escola pública, o aumento dos lucros dos bancos e da grande distribuição, a degradação do investimento público na Saúde, a habitação e os transportes, são os problemas a requerer uma intervenção reforçada do partido.

No seu último discurso enquanto líder, Jerónimo de Sousa reconheceu que há “insuficiências” dentro do partido que “importa superar” e que há “ventos duros, muito fortes” a soprar contra o PCP, contudo rejeitou qualquer cedência ideológica ou “da luta” porque os comunistas sob o comando de Paulo Raimundo vão estar “sempre virados para a frente”.

Jerónimo de Sousa não fugiu muitas vezes ao guião, mas acabou com um improviso: “O vento está duro e muito forte, fustiga-nos o rosto, mas nunca hão de ver-nos levar com ele de costas, porque estaremos sempre virados para a frente, em todo o nosso projeto, do nosso ideal, do nosso partido”.

Apresentado por vários camaradas de partido como um dirigente que sabe ouvir, agregador e conciliatório, Raimundo tem como tarefas liderar o reforço da orgânica interna do PCP, e um caderno de encargos que inclui “o desenvolvimento da ligação e do trabalho com outros democratas e patriotas” seja no “âmbito da CDU seja num plano mais largo”.

O PCP terá como tarefas prioritárias aumentar a responsabilização e formação de quadros, novos mil quadros até final de 2024, reforçar as estruturas de direção e recrutar e integrar novos militantes. Ainda a nível interno, a Resolução Política, a aprovar na manhã deste domingo, estabelece o objetivo de uma “grande ação nacional” para criar mais “células” nos locais de trabalho, para além das 100 que, disse, foram criadas recentemente.

O fortalecimento das organizações e “movimentos de massas”, a “sindicalização e a organização sindical nas empresas, os sindicatos, a CGTP-IN e as comissões de trabalhadores” são outras linhas de ação do PCP nos próximos tempos.

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