Paulo Rangel reconhece derrota nas diretas do PSD e lança apelo à unidade para as legislativas

Apoios obtidos pelo eurodeputado não se traduziram nos votos dos militantes sociais-democratas e o atual presidente conseguiu a terceira vitória consecutiva em eleições diretas.

Carlos Barroso/Lusa

O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel fez um apelo à unidade do PSD no discurso em que reconheceu a derrota para Rui Rio nas eleições diretas para a presidência do partido. Dirigindo-se aos apoiantes, o candidato derrotado neste sábado, tendo 46,68% dos votos quando faltava apurar apenas 41 concelhias, pediu um “espírito de cooperação e de abertura para que o partido se possa unir em torno da estratégia que saiu vencedora e do líder que a protagoniza”, considerando-o necessário para vencer as legislativas de 30 de janeiro de 2022.

Realçando que o tempo que falta até à ida dos portugueses às urnas “é muito exigente e impõe mobilização redobrada”, Rangel disse que todos aqueles que o apoiaram na candidatura à liderança “estão determinados em que o PSD possa ter uma excelente vitória”.

Paulo Rangel começou o discurso dizendo que teve uma longa conversa telefónica com Rui Rio e mais tarde viria a garantir, em resposta a uma pergunta, que os dois não fizeram as pazes “porque não estávamos em guerra”. No entanto, voltou a discordar dos argumentos apresentados pelo líder reeleito do PSD para tentar adiar as diretas e o congresso do partido para depois das eleições legislativas.

“Como eu sempre disse, este processo eleitoral interno reforçou a legitimidade do líder do PSD”, disse o eurodeputado, que irá manter-se no Parlamento Europeu e afastou a hipótese de tentar uma terceira candidatura à presidência do partido. “Não tenho qualquer dúvida de que o presidente reeleito sai com mais força para as legislativas”, acrescentou.

Desde o início da noite eleitoral tornou-se evidente que os apoios conseguidos por Rangel, que incluíam a distrital do Porto, a distrital de Lisboa – Área Metropolitana e a esmagadora maioria da distrital de Braga, não se estavam a traduzir nos votos dos militantes. Acabou por ser vencido por Rui Rio, que consegue a terceira eleição consecutiva nas diretas do PSD, depois de vencer Pedro Santana Lopes em 2018 e Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz em 2020.

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