PCP apela a solidariedade com o povo palestiniano contra “deriva fascizante” de Israel

Os comunistas defendem que Israel tem vindo a violar o direito internacional, com a anexação de territórios palestinianos, e a formalizar a discriminação racial e religiosa dos seus próprios cidadãos, evidenciando “uma deriva fascizante”.

O Partido Comunista Português (PCP) apelou esta quinta-feira à solidariedade com o povo palestiniano, no dia em que se assinalam dez anos que “Israel desencadeou a criminosa guerra na Faixa de Gaza”. Os comunistas defendem que Israel tem vindo a violar o direito internacional, com a anexação de territórios palestinianos, e a formalizar a discriminação racial e religiosa dos seus próprios cidadãos, evidenciando “uma deriva fascizante”.

“O povo palestiniano é vítima desde há sete décadas de uma tremenda injustiça e corre hoje o sério risco de ser de novo vítima de uma catástrofe e de novas expulsões em massa, que as forças sionistas e os seus aliados imperialistas preparam ativamente”, alerta o PCP, em comunicado. “O PCP reitera a sua solidariedade de sempre à luta do povo palestiniano em prol dos seus inalienáveis direitos”.

Os comunistas apelam “aos democratas e amigos da Paz” que redobrem a sua solidariedade com a luta do povo palestiniano pelos seus direitos, “pelo fim da ocupação israelita; pelo fim dos massacres e da repressão; pela libertação de todos os presos políticos palestinianos nas prisões israelitas; pelo levantamento imediato do bloqueio à Faixa de Gaza; pelo desmantelamento do Muro do Apartheid; pelo fim dos colonatos israelitas nos territórios ocupados; por um Estado da Palestina, nas fronteiras anteriores a 1967, com Jerusalém Leste como capital, e assegurando o direito de regresso aos refugiados”.

“É na unidade, resistência e luta do povo palestiniano que reside a perspectiva de saída do impasse a que décadas de violação dos seus direitos conduziram”, indicam, notando que “essa resistência e luta necessita da solidariedade activa dos trabalhadores e dos povos”.

O apelo à solidariedade do PCP surge no dia em que se assinalam dez anos desde que Israel bombardeou indiscriminadamente a população palestiniana na Faixa de Gaza, durante três semanas. A ação militar ficou conhecida como “Operação Chumbo Fundido” e provocou a morte a cerca de 1300 mortos, dos quais 400 mulheres e crianças. Durante a operação, o PCP lembra que “a população palestiniana foi enclausurada pelo cerco – a quem foi negado até mesmo o direito a fugir dos bombardeamentos israelitas”.

“O PCP sublinha que, dez anos volvidos, a população da Faixa de Gaza continua sujeita a um cruel bloqueio promovido por Israel. As condições de vida impostas à população palestiniana são intoleráveis, tendo a agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) alertado que Gaza terá condições inabitáveis em 2020”, avisa o Partido Comunista.

O PCP defende ainda que “a última década comprovou que os ‘processos negociais’ conduzidos pelos EUA desde a década de 90, marginalizando a ONU, foram um logro”. “Gozando da impunidade resultante do apoio do imperialismo norte-americano, Israel usou o processo negocial para, transformando a realidade no terreno, inviabilizar um Estado da Palestina”, sustenta o partido.

No mesmo sentido, o partido considera que as recentes medidas da Administração norte-americana dirigida por Donald Trump relativas a Jerusalém e ao corte do financiamento à agência da ONU que assiste os campos de refugiados palestinianos (UNRWA) “proclamam abertamente ao mundo que os EUA não têm qualquer intenção de respeitar o direito à autodeterminação do povo palestiniano e as numerosas resoluções da ONU sobre esta questão”.

O Partido Comunista valoriza ainda a aprovação pela Assembleia da República da sua proposta de aumento da contribuição financeira de Portugal à UNRWA e recorda que, “no quadro das relações internacionais do Estado português, o Governo português está obrigado a princípios constitucionais que, se respeitados, teriam expressão numa coerente e efetiva ação em prol da concretização dos direitos nacionais do martirizado povo palestiniano e não a colaboração com um Estado que o coloniza e reprime”. “O que se exige do Governo português é uma firme ação com vista ao reconhecimento do Estado da Palestina, conforme as resoluções pertinentes das Nações Unidas”, indica.

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