PCP apela ao desincentivo da plantação de eucaliptos na Madeira

“Não se trata de acabar com o eucalipto, até porque a demonização destas espécies não é correta do ponto de vista político, científico e ecológico”, mas é necessário proceder a uma gestão “racional” deste tipo de plantação, esclarece o PCP, de modo a evitar a produção descontrolada desta espécie.

O Partido Comunista Português (PCP) apelou ao Governo Regional a implementação de medidas que venham a desincentivar e reduzir gradualmente a plantação de eucaliptos na Região Autónoma da Madeira.

O motivo, refere o partido em proposta entregue na Assembleia da Madeira, prende-se com o facto dos eucaliptos serem uma espécie invasora nas florestas que facilmente implanta-se nos solos, substituindo e competindo com a vegetação endémica da região, o que prejudica a biodiversidade das florestas, bem como ao facto dos eucaliptos contribuírem para a propagação dos fogos florestais que assolam a Madeira, especialmente na época do verão.

Esta perda na biodiversidade das florestas impulsionada pela plantação do eucalipto implica também uma grande acidificação, esgotamento e erosão dos solos, o que causa a redução da sua disponibilidade de água, sublinha o deputado do PCP na Assembleia da Madeira, Ricardo Lume.

O partido reconhece que o facto dos eucaliptos terem um crescimento rápido, formando um manto florestal em apenas seis anos e terem ciclos de exploração de aproximadamente doze anos, faz com que estejam em demanda para a utilização na pasta de celulose, usada no fabrico de papel, carvão, madeira e produtos químicos, não deixando de referir também a demanda dos terrenos agrícolas por esta espécie, para ser utilizada como biomassa.

Contudo, o PCP insiste que esta plantação constitui um problema para a conservação da flora, da fauna e dos recursos hídricos dos solos, visto que uma árvore de eucalipto pode consumir até 30 litros de água por dia.

“Não se trata de acabar com o eucalipto, até porque a demonização destas espécies não é correta do ponto de vista político, científico e ecológico”, mas é necessário proceder a uma gestão “racional” deste tipo de plantação, esclarece o PCP, de modo a evitar a produção descontrolada desta espécie.

Deste modo, o PCP é a favor da responsabilização pública e privada na gestão da plantação de eucaliptos, através da redução e definição de espaços próprios para proceder a este tipo de plantação. “Não basta imputar todos os males da floresta ao eucalipto, quando na verdade o maior problema está no planeamento técnico e político da sua plantação, e da sua delimitação máxima ocupacional”, frisa Ricardo Lume.

Como estratégia de prevenção de fogos florestais, o PCP sugere ainda uma gradual substituição de outras espécies, para alem do eucalipto, que são “ecologicamente nocivas” para os solos, como as acácias, as giestas e a carqueja, para assim poder evitar a a recorrência de incêndios na região autónoma.

 

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