PCP condena visita de Nancy Pelosi a Taiwan e considera uma “provocação”

“Esta provocação, no quadro de uma visita do Congresso dos EUA a vários países da região e que invoca como um dos objetivos discutir ‘segurança’, insere-se na estratégia de confrontação crescente do imperialismo contra a República Popular da China”, considera o PCP.

Tiago Petinga/Lusa

O Partido Comunista Português (PCP) divulgou um comunicado onde condena a visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara de Representantes dos EUA, a Taiwan,

O PCP “expressa profunda preocupação com os últimos desenvolvimentos da situação na região Ásia-Pacífico e condena a provocação montada pelos EUA com a ida de Nancy Pelosi, Presidente da Câmara de Representantes dos EUA, a Taiwan”.

“Não deixando de estar relacionada com a situação interna dos EUA e as eleições em curso, esta provocação, no quadro de uma visita do Congresso dos EUA a vários países da região e que invoca como um dos objetivos discutir ‘segurança’, insere-se na estratégia de confrontação crescente do imperialismo contra a República Popular da China, instrumentalizando Taiwan e fomentando o separatismo para pôr em causa o ‘princípio de uma só China”, que os EUA têm vindo a  seguir”, aponta o partido de Jerónimo de Sousa.

No comunicado os comunistas exigem ainda “o fim das provocações na região Ásia-Pacífico, das quais o Governo português se deve demarcar” e apelam ao “respeito pela soberania e não ingerência do imperialismo na República Popular da China”.

Ontem a líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos assegurou que Washington iria manter os compromissos com Taiwan. “Não vamos abandonar o nosso compromisso com Taiwan”, afirmou Nancy Pelosi.

“Hoje, a nossa delegação (…) veio a Taiwan para dizer inequivocamente que não vamos abandonar o nosso compromisso com Taiwan e que estamos orgulhosos da nossa amizade duradoura”, acrescentou.

No mesmo dia um total de 21 aviões militares chineses entraram na Zona de Identificação da Defesa Aérea de Taiwan. Pouco depois disso, a China suspendeu importações de produtos como frutas e de pesca da ilha autónoma.

Além do PCP também a Coreia do Norte, Cuba e Venezuela repudiaram a visita da líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos a Taiwan e reafirmaram o seu apoio total à China.

A Coreia do Norte considerou a visita uma “interferência descarada” nos assuntos da China, Cuba disse que a visita “lesava a integridade territorial e a soberania” da China e o Governo venezuelano é da opinião que se trata de uma “provocação direta” da administração de Joe Biden.

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