PCP enrijece “a luta” num ano em que Jerónimo pode passar testemunho

Após quatro anos na “geringonça” liderada pelo PS, o PCP promete enrijecer “a luta”, no parlamento e nas ruas, num ano que pode acabar com Jerónimo de Sousa a passar o testemunho a um novo secretário-geral.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP

o próximo Congresso Nacional dos comunistas, entre 27 e 29 de novembro de 2020, o antigo operário metalúrgico e dirigente sindical Jerónimo de Sousa terá 73 anos e estará à frente dos destinos do mais antigo partido político português (99 anos) há mais de 15, desde que sucedeu a Carlos Carvalhas, em 28 de novembro de 2004, em Almada.

No final de fevereiro, em entrevista à Lusa, ainda antes das sempre cansativas campanhas eleitorais europeia e legislativa, o líder comunista admitiu pela primeira vez poder vir a abdicar do posto de secretário-geral na reunião magna do próximo ano porque “é da lei da vida”.

O mais recente comunicado do Comité Central do PCP, em 24 de novembro, sublinhou que o partido “não é agora, como não foi na legislatura que findou, ‘Governo’ ou parte de uma alegada ‘maioria’, mas sim força de oposição a tudo o que contrarie ou faça retroceder os direitos dos trabalhadores e do povo, e força indispensável para, com a sua iniciativa, se avançar na conquista de novos direitos”.

“O programa do Governo confirma que o PS mantém as mesmas opções estruturais de compromisso com o grande capital e de submissão à União Europeia e ao Euro”, lamentaram os dirigentes comunistas, acrescentando que a orientação política dos socialistas “não só não abre perspetivas de avanços como indicia caminhos de sentido negativo ou até de retrocessos”.

As palavras de ordem visíveis nos novos cartazes expostos recentemente pelas ruas de todo o país são: “Intervir, lutar, avançar”.

Ao contrário da noite eleitoral de outubro de 2015, em que Jerónimo de Sousa deixou claro que o PS só não governaria se não quisesse, abrindo caminho à queda da maioria PSD/CDS-PP, a análise dos resultados das eleições de há dois meses levou o líder comunista a adotar outra atitude, rejeitando qualquer “papel assinado”, como as posições conjuntas de há quatro anos entre PS, PCP, BE e PEV.

Jerónimo de Sousa, agora, só se comprometeu em votar “medida a medida”, tendo como compromisso único a melhoria das condições de vida “dos trabalhadores e do povo”.

Em termos eleitorais, desde há quatro anos, foram vários os sufrágios em que o PCP registou perdas.

Logo nas presidenciais de 2016, o candidato comunista Edgar Silva ficou-se pela quinta posição, com 3,95% (183.009 votos), e, nas autárquicas de 2017, a Coligação Democrática Unitária (PCP/”Os Verdes”) foi a terceira força política mais votada, com 9,45% (489.089 votos), mas perdeu 10 autarquias, nove das quais para o PS.

Este ano, nas Europeias, a CDU foi a quarta mais votada, com 6,88% (228.157 votos) e perdeu um dos três mandatos que tinha em Bruxelas e Estrasburgo. Nas Legislativas, comunistas e ecologistas voltaram a recuar para 6,33% (332.473 votos), baixando de 17 para 12 deputados, o pior resultado de sempre, ao nível de 2002.

Apontado como sucessor natural do líder comunista é o também operário Francisco Lopes, 64 anos, que abdicou do seu lugar de deputado recentemente para se dedicar às tarefas de direção do partido. Membro do Secretariado, da Comissão Política e do Comité Central, Francisco Lopes foi eleito consecutivamente deputado do PCP no parlamento desde 2005 e já foi candidato presidencial em 2011.

Porém, o centralismo democrático dos comunistas pode reservar outros nomes na manga e possíveis surpresas. O também membro do Comité Central Bernardino Soares, com experiência como líder parlamentar e já com dois mandatos à frente da Câmara Municipal de Loures, é outro válido quadro comunista, entre outros. O atual presidente da bancada parlamentar, João Oliveira, e o eurodeputado e vereador em Lisboa, João Ferreira, já declararam pública e terminantemente que não são candidatos a secretário-geral.

Ultimamente, Jerónimo de Sousa tem evitado falar na sua sucessão, adiantando apenas que “a questão ainda não está colocada” e a decisão será dos seus “camaradas”, na altura do 21.º Congresso Nacional, em novembro.

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