PCP: Jerónimo reconhece que há insuficiências e deixa caderno de encargos

O secretário-geral cessante do PCP, Jerónimo de Sousa, reconheceu hoje que o partido tem dificuldades e insuficiências que “importa superar” e apelou à resistência dos comunistas contra a “brutal ofensiva” em curso.

Tiago Petinga/Lusa

“Sabemos dos impactos negativos nos planos eleitorais, de expressão institucional, das nossas dificuldades, das nossas insuficiências e atrasos que estão identificados e importa superar”, disse Jerónimo de Sousa, na abertura dos trabalhos da Conferência Nacional do PCP, em Corroios, concelho do Seixal.

Numa parta da intervenção virada para dentro, o líder cessante, que hoje fez a sua última intervenção, reconheceu que “o caminho é duro”.

“Sabemos quanto pesa a brutal ofensiva que se desenvolve contra o PCP, porque é o que é e não abdica de o ser, com os interesses de classe que assume, os objetivos por que luta e o projeto transformador de emancipação social de que é portador”, completou.

Ao longo dos últimos anos, continuou Jerónimo de Sousa, o PCP foi alvo de “campanhas de deturpação das suas posições, das calúnias e das tentativas de chantagem”, assim como de tentativas de “condicionamento e silenciamento”, em resultado da “sua corajosa intervenção”.

Jerónimo de Sousa apontou o dedo à “classe dominante, os senhores do mando no país”, que perenta esta “ofensiva” queria que o PCP tivesse “abdicado de princípios e objetivos, se submetesse à sua agenda” e ‘fechasse os olhos’ às “opções de classe do PS, os projetos das forças reacionárias, a natureza da NATO, a guerra e as sanções”.

E continuando a falar para dentro, o secretário-geral cessante descansou os militantes que receavam uma mudança de rumo do PCP e falou para a “classe dominante”: “Enganaram-se e vão continuar enganados!”

“Sabemos igualmente que a ação do Partido, as condições de intervenção e luta resultam não apenas das decisões e opções próprias, mas também da ação dos seus adversários e do quadro mais geral – nacional e internacional – em que intervém”, completou.

Entre o “caderno de encargos que Jerónimo deixou ao seu sucessor, no plano da organização interna, está o desenvolvimento da ligação e do trabalho com outros democratas e patriotas” “seja no âmbito da CDU seja num plano mais largo” assumindo a realização de contactos regulares a partir de cada uma das organizações com aqueles que se destacam na vida coletiva”.

O PCP terá como tarefas prioritárias, disse, aumentar a responsabilização e formação de quadros, novos mil quadros até final de 2024, reforçar as estruturas de direção e recrutar e integrar novos militantes. Ainda a nível interno, estabeleceu o objetivo de uma “grande ação nacional” para criar mais “células” nos locais de trabalho, para além das 100 que, disse, foram criadas recentemente.

O fortalecimento das organizações e “movimentos de massas”, a “sindicalização e a organização sindical nas empresas, os sindicatos, a CGTP-IN e as comissões de trabalhadores” são outras linhas de ação do PCP nos próximos tempos.

A defesa da juventude, dos direitos dos trabalhadores, da valorização das reformas, da produção nacional, o direito à habitação, e a promomoção e o aumento geral dos salários, à cabeça, são as prioridades de intervenção política do PCP, inscritas na Resolução que a Conferência aprovará e que Jerónimo de Sousa elencou.

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