“PCP tem dívida eterna de gratidão a Jerónimo de Sousa”, diz Marques Mendes

“O PCP deve estar eternamente grato a Jerónimo de Sousa. Durante anos, ele adiou a queda do PCP. Fruto da sua simpatia, honestidade, correção e autenticidade. Sem Jerónimo de Sousa e os seus atributos pessoais, o PCP já teria caído mais cedo”, afirmou o social democrata.

Luís Marques Mendes disse este domingo que o “PCP tem dívida eterna de gratidão para com Jerónimo de Sousa”. Se não fossem as suas qualidades pessoais, o partido já teria caído mais cedo na irrelevância política, defende.

No seu espaço de comentário na SIC, o antigo líder do PSD diz que a mudança de liderança era “inevitável” por razões políticas uma vez que os últimos anos foram “fatais” para os comunistas.

“O partido cometeu três erros clamorosos”, começou por enuncias. “Primeiro, um erro estratégico: a geringonça. O PS ganhou com a solução. O PCP perdeu e pagou um fortíssimo preço eleitoral, em eleições autárquicas e nacionais”. “A geringonça foi politicamente fatal para o PCP”, insistiu.

“Segundo, um erro de avaliação: o chumbo do último Orçamento de Estado. Não perceber que ia ser fortemente penalizado, e o PS beneficiado, foi um erro de principiante. Finalmente, um erro de posicionamento internacional: a posição sobre a guerra na Ucrânia. Só para se manter contra os EUA e a NATO, o PCP desbaratou o que restava do seu capital político, colocando-se ao lado da Rússia”, lamentou. “É uma posição que nenhum português compreende. Na pratica, está do lado de Putin”.

Sobre o novo líder, Paulo Raimundo, que “praticamente ninguém conhece”, pode-se esperar uma mudança de atitude mas não de posicionamento político. “Primeiro, porque no PCP o coletivo manda mais que o líder; segundo, porque do que se conhece, Paulo Raimundo toma decisões muito ortodoxas; terceiro, porque o PCP já chegou a uma fase em que já não tem alternativa: se muda de orientação, descaracteriza-se e perde; se mantém a orientação, envelhece e perde à mesma. Na política há um tempo para tudo. Agora não tem alternativa e caminha para a irrelevância”.

Não obstante a saída de Jerónimo ter sido “uma surpresa”, foi em bom momento para afirmar o novo líder tendo o resto da legislatura pela frente, pese embora o obstáculo inicial de não ser deputado.

“O PCP deve estar eternamente grato a Jerónimo de Sousa. Durante anos, ele adiou a queda do PCP. Fruto da sua simpatia, honestidade, correção e autenticidade. Sem Jerónimo de Sousa e os seus atributos pessoais, o PCP já teria caído mais cedo”, conclui.

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