PCP vota contra estado de emergência: “O nosso futuro não pode ser o confinamento permanente”

O deputado do PCP António Filipe defendeu que a resposta à pandemia deve passar pela promoção da “responsabilidade da atitude”, reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e pela adoção de medidas de proteção sanitária necessárias.

Tiago Petinga/LUSA

O Partido Comunista Português (PCP) defendeu esta quinta-feira que mais do que a renovação do estado de emergência, é preciso evitar que o “o confinamento permanente”. O deputado do PCP António Filipe defendeu que a resposta à pandemia deve passar pela promoção da “responsabilidade da atitude”, reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e pela adoção de medidas de proteção sanitária necessárias.

“Mais do que o estado de emergência o que é necessário é promover a racionalidade da consciência e a responsabilidade da atitude, garantir a resposta dos serviços de saúde e do SNS e adotar as medidas de proteção sanitária necessárias ao funcionamento da sociedade, porque o nosso futuro não pode ser o confinamento permanente”, afirmou António Filipe, no debate sobre a renovação do estado de emergência, no Parlamento.

O deputado comunista sublinhou que, quando a situação sanitária começou a agravar-se, era preciso dar prioridade ao reforço das medidas de proteção sanitária e do SNS, mas “o Presidente da República, com acordo do Governo, voltou a recorrer ao estado de emergência e a novas medidas restritivas. Agora espantam-se que o estado de emergência e as restrições não sejam compreendidas”, disse.

A renovação do estado de emergência vai permitir ao Governo manter o confinamento geral e as medidas decretadas para travar a pandemia de Covid-19 em Portugal, abrindo a porta ao fecho de fronteiras e ao ensino à distância. O decreto presidencial prevê também a mobilização de “profissionais de saúde reformados e reservistas ou que tenham obtido a sua qualificação no estrangeiro” para a prestação de cuidados de saúde e a proibição da divulgação de “saldos, promoções ou liquidações”.

O decreto presidencial deverá ser aprovado, com os votos favoráveis do PS e PSD, que juntos somam mais de dois terços dos deputados (maioria necessária para aprovar o estado de emergência).

Relacionadas

“É um cartão amarelo”. BE abstém-se na votação do estado de emergência

Pedro Filipe Soares justificou que o cartão amarelo dado ao Governo também se deve a “todo um orçamento suplementar que ficou por cumprir”.

PSD apoia estado de emergência mas aponta “graves falhas” do Governo na gestão da pandemia

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu no Parlamento que, perante a grave crise económica, social e pandémica, o Governo não deve dizer tudo e o seu contrário e lembrou a máxima militar de que “ordem e contraordem dá desordem”.

PS anuncia voto a favor do estado de emergência

O Partido Socialista viabilizou a renovação do estado de emergência conforme já tinha anunciado. Para o PS esta é uma decisão que visa a “responsabilidade coletiva que é de fazer tudo para salvar vidas”, disse Ana Catarina Mendes.

Renovação do Estado de Emergência em debate no Parlamento. Assista em direto

A renovação do Estado de Emergência chega esta quarta-feira ao Parlamento. Acompanhe o debate em direto.
Recomendadas

Pfizer regista um lucro anual em 2022 de 31,4 mil milhões de dólares

A farmacêutica registou aumentos nos lucros e nas receitas, mas espera que em 2023 haja uma quebra da faturação, devido à diminuição nas vendas de vacinas e medicamentos contra a Covid-19.

Reabertura “caótica” da China “difícil de digerir” para residentes em Shenzhen

O súbito fim da política de ‘zero casos’, sem anúncio antecipado ou preparação do sistema de saúde, deixou famílias a lutar pela sobrevivência dos membros mais idosos, à medida que uma vaga de infeções inundou os hospitais e crematórios do país.

Tribunal de Contas “atento” ao processo da Jornada Mundial da Juventude

O presidente do TdC precisou ser necessário deixar que o processo corra, acentuando que o Tribunal de Contas (TdC) “está atento [à JMJ] como está atento a outros processos que estão a correr” na sociedade.
Comentários