Pedro Gouveia Alves defende dívida com garantia estatal para o Montepio

Em entrevista à Lusa, o candidato da lista D nas eleições de 13 a 17 de dezembro para os órgãos associativos da mutualista, Pedro Alves considerou que os 1.376 milhões de euros que o banco Montepio tinha em dezembro de 2020 de ‘ativos improdutivos’ (nomeadamente crédito problemático) precisam de ser retirados do balanço do banco.

Cristina Bernardo

O candidato a presidente da Associação Mutualista Montepio Pedro Alves defende que haja garantia de Estado na emissão de dívida que faz parte da solução que propõe para ‘limpar’ o banco Montepio dos créditos problemáticos.

Em entrevista à Lusa, o candidato da lista D nas eleições de 13 a 17 de dezembro para os órgãos associativos da mutualista, Pedro Alves considerou que os 1.376 milhões de euros que o banco Montepio tinha em dezembro de 2020 de ‘ativos improdutivos’ (nomeadamente crédito problemático) precisam de ser retirados do balanço do banco.

“Existem várias soluções, a que nós defendemos passa por encontrar forma de ‘tranchear’ esses ativos e encontrar investidores para adquirir dívida emitida com garantia desses mesmos ativos. Naturalmente alguns desses ativos terão menos riscos e mais apetite de investidores e outros mais risco e não tanto apetite, nomeadamente porque poderão aportar perdas de maior dimensão”, diz o gestor, atual administrador não executivo do banco Montepio e presidente executivo do Montepio Crédito.

É nesta parte da dívida de maior risco que Pedro Alves defende que “haja uma garantia pública”, para que a emissão de dívida suscite maior interesse nos mercados.

“Vai haver necessidade de tempo para recuperar estes ativos e a ‘compra’ de tempo só se faz com redução significativa do risco percecionado pelos investidores”, afirma.

Questionado se esse dinheiro servirá para suprir as necessidades financeiras com que o banco ficará com a saída de ativos, Pedro Alves afirma que “é exatamente esse o objetivo”.

Quanto ao valor alvo da garantia pública, disse que pelas contas da sua lista será de “poucas centenas de milhões de euros”. Questionado sobre se será preciso garantia pública a 500 milhões de euros, estima que “provavelmente nem tanto”.

Para o candidato da lista D, recuperar estes ativos problemáticos é um “trabalho longo que demorará anos a resolver”, mas considera que associados, trabalhadores do Montepio, assim como entidades públicas e supervisores têm como máximo interesse não gerar qualquer tipo de instabilidade no grupo.

Quanto a entrar um novo acionista no banco, considera que “não é possível fazê-lo de momento”, pois para isso o banco tem de ter primeiramente uma “proposta de valor atrativa para poder abrir o seu capital e sempre preferencialmente com acionistas da natureza da economia social, seja nacional ou internacional”.

Para Pedro Alves, o banco deve voltar a “afirmar-se como banco de raiz mutualista, deve ser banco das famílias, dos pequenos negócios, das pequenas e médias empresas e das entidades da economia social”.

Questionado sobre se o que legado ‘tóxico’ atualmente do banco se deve a decisões erradas do passado e à compra do Finibanco, Pedro Alves considera que o legado tem que ver com o banco ter sido, como outros bancos, atingido pela crise financeira e da dívida soberana que levou a incumprimento dos créditos e que “no caso do banco Montepio essa situação não foi resolvida na altura em que outros bancos resolveram e acabou por se arrastar ao longo do tempo”.

Pedro Alves diz ainda não ter estado envolvido na aquisição do Finibanco, que então a sua função foi, enquanto diretor de empresas, acolher elementos do Finibanco da área de empresas.

Quanto às propostas da lista D para as mutualidades, é proposto que seja desenvolvida a modalidade mutualista da saúde, para que associados tenham cobertura de riscos de saúde.

Faz ainda parte do programa da lista que, “nos primeiros 100 dias de mandato, haja o lançamento da rede nacional de assistência domiciliária”.

Pedro Alves diz ainda que os membros da sua lista não compreendem por que razão as residências Montepio têm “a maior parte capacidade instalada comprometida com rede de cuidados continuados pública”, havendo associados em lista de espera para aceder a essas residências quando foi o dinheiro desses que as pagou, defendendo que tenham prioridade.

Sobre o preço elevado das residências Montepio, disse que pretende rever a tipologia desses equipamentos e edificar novos equipamentos a um custo que possa “servir melhor os associados, nomeadamente os que não têm capacidade de pagar os valores atuais”, afirma.

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