Pedro Nuno Santos: “Há seis interessados na TAP. Três fundos e três grupos de aviação”

O ministro das Infraestruturas garante que não se trata de injetar dinheiro para vender a empresa. “Investimos na TAP porque entendíamos que não deveria fechar. A fazer algum negócio no futuro deve ser com grupos de aviação, que percebem do sector”, disse, em entrevista à SIC.

Cristina Bernardo

O ministro das Infraestruturas disse esta esta quarta-feira que há três fundos e três grupos de aviação interessados na TAP e garantiu que o apoio do Estado à empresa, de 3.200 milhões de euros, é “mais do suficiente” para a recuperação e viabilidade da companhia aérea portuguesa.

“Num mercado global tão competitivo, a TAP não pode estar isolada. É difícil uma empresa de aviação estar isolada num mercado global, que tem assistido a consolidações. Achamos que deve estar integrada num grupo. Injetámos e investimos na TAP porque entendíamos que não deveria fechar”, referiu Pedro Nuno Santos, em entrevista à SIC Notícias. “A fazer algum negócio no futuro deve ser com grupos de aviação, que percebem do sector”, avançou, ressalvando que não se trata de injetar dinheiro para depois vender.

“É com essa perspetiva [de ser viável] que este plano [de restruturação] foi aprovado. É aquilo que nós achamos, é o que a Comissão Europeia acha e o que a gestão da TAP também acha. Portanto, se não tivermos nenhuma perturbação mais grave na conjuntura dos próximos anos, este valor é mais do que suficiente para que a TAP possa recuperar e ser uma empresa viável economicamente”, assegurou.

Segundo a Comissão Europeia, a atribuição de 5% dos slots – dos 300 – da TAP a uma única transportadora aérea permite competir de forma mais eficaz. Questionado sobre a rival que mais teme que fique com as faixas, Pedro Nuno Santos começou por dizer que “foi-se criando a ideia de que a TAP é concorrente da Ryanair ou da easyjet”, mas salvaguardou que “essas companhias aéreas low-cost não são concorrentes da TAP, porque têm negócios completamente distintos”, sem revelar o nome da concorrente que o Governo mais receia.

A Comissão Europeia anunciou ontem à noite que aprovou o plano de reestruturação da TAP, cumprindo a expectativa do Governo de que o documento – entregue há exatamente um ano – teria ‘luz verde’ até ao final deste ano, e permitiu assim uma ajuda estatal de 2,55 mil milhões de euros. “Se perdêssemos a TAP o prejuízo para os contribuintes seria muito maior. O investimento na TAP é um investimento na economia nacional”, afirmou o ministro das Infraestruturas, em declarações ao canal de Paço d’Arcos.

Entre as imposições de Bruxelas à companhia aérea está a disponibilização de até 18 slots (faixas horárias para voo) por dia no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, e o desinvestimento nos negócios da manutenção no Brasil, na Cateringpor e na Groundforce. “Não podemos manter a ME Brasil aberta”, sublinhou à SIC, reiterando ainda o impacto da TAP na economia nacional, ao ser responsável por 3 mil milhões de euros em exportações.

A aprovação do plano de reestruturação da TAP envolve um auxílio do Estado autorizado de 3,2 mil milhões de euros, entre um empréstimo privado (360 milhões de euros), uma nova injeção de capital (990 milhões de euros), a entrada de capital já recebida (1,2 mil milhões de euros) e as ajudas no âmbito da pandemia.

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