Perfis ‘tech’ dominam oportunidades de emprego

Para a banca, os recursos humanos são um desafio significativo, dada a elevada procura de talento tecnológico. A competição faz-se a nível global com empregadores a esgrimirem múltiplos trunfos.

Tradicionalmente, a banca contratava comerciais, financeiros, matemáticos, marketing e algum IT, sobretudo para as operações core. Hoje, procura sobretudo talento tech para responder aos desafios tecnológicos que o mundo enfrenta.

“Com a pandemia e a aceleração da digitalização, há agora uma maior aposta na vertente tecnológica para responder aos desafios de cibersegurança, automatização, áreas de risco, cloud e outros domínios associados à transformação e digitalização dos serviços”, afirma Liliana Costa, Division Manager de IT & Telecom na QiBit Portugal, empresa do universo GI Group, ao Jornal Económico.

A especialista em recursos humanos explica que estas áreas tecnológicas requerem perfis altamente especializados, com elevadíssima procura no mercado de trabalho, e que funções que já existiam noutras áreas de negócio começam a surgir na banca, principalmente ligadas a cibersegurança, data & analytics, bem como funções relacionadas com a experiência de utilizador.

“Há cada vez mais uma procura por perfis capazes de desenvolver canais para o contacto com o cliente de forma ágil, eficiente e segura”, salienta Liliana Costa.

Num sector tão altamente regulado como a banca, a segurança da informação tem sido a prioridade, diz Francisco Emauz Ribeiro, manager da Michael Page. Muitas das novas funções estão diretamente relacionadas com ela. Ao JE, o responsável desta empresa de recrutamento especializado enuncia uma lista considerável de funções que o mercado conhece e reconhece pelo nome original, em inglês: Cyber, Compliance, Governance, IT Audit, Digital Fraud e Risk.

No topo das novas funções vem logo a seguir a gestão, transformação e optimização da informação, que é o factor distintivo da concorrência, como explica o responsável desta empresa de recrutamento especializado: “Quanto maior for o conhecimento (Data) sobre o mercado (clientes) melhor será a performance neste sector e melhor conseguirão adaptar a sua oferta no mesmo”. Também aqui desfia um vasto leque de funções emergentes e com designações em inglês: Big Data, Data Analyst, Data Scientist, Data Engineer e Business Analyst. No pódio, Francisco Emauz Ribeiro destaca, a seguir as funções responsáveis por criar, desenvolver e implementar soluções tecnológicas inovadoras — Cloud Computing, DevOps, Cloud Engineer, Low Code Developer e Digital Product Manager.

Formação e qualificações
A última década foi pródiga em desenvolvimento tecnológico e a pandemia acelerou ainda mais a transformação digital em marcha. “As instituições financeiras entenderam a importância de estar à frente das novas tendências e procuraram adaptar-se a um mercado cada vez mais exigente e competitivo”, em que as fintech e as bigtech conquistaram um lugar importante, refere Francisco Emauz Ribeiro.

O mercado da oferta e da procura sofreu alterações significativas, adianta, explicando que, no lado da procura, nasceu um novo perfil de consumidor que valoriza a comodidade, a rapidez, e a ausência de burocracia. E do lado da oferta, nasceram novos produtos e serviços: mais intuitivos, práticos e flexíveis.

Os serviços que antes se realizavam presencialmente, “de forma burocrática e pouco ágil, hoje recorrem a tecnologia capaz de simplificar os processos”, exemplifica Liliana Costa. Estão neste caso o homebanking’ e os balcões digitais, que permitem às pessoas aceder a grande parte dos serviços com grande facilidade.

Neste cenário, é fundamental apostar na qualificação das pessoas e na inovação bos processos, adequando-os à tecnologia existente. “Trata-se quase de uma matéria de sobrevivência para a banca — afirma a especialista da QiBit Portugal — uma vez que as ‘big tech’ já definem tendências para o mercado financeiro e têm tecnologia que potencia a melhor experiência para o utilizador”.

Na perspetiva de Liliana Costa há que “modernizar” a experiência da banca, com foco na inovação dos serviços prestados ao consumidor, o que “será apenas possível através da atração de talentos de IT capazes de contribuir para essa evolução tecnológica”. Ora, tratando-se de profissionais com uma elevada procura no mercado, o desafio é significativo, uma vez que, justifica, a banca terá que competir com empregadores a nível global, com outra capacidade do ponto de vista salarial, estruturas organizacionais e regimes de trabalho mais flexíveis.

“Estarão os decisores deste sector capazes de se adaptarem à inovação e flexibilidade do contexto profissional atual” — interroga-se ? O futuro dirá.

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