Peso da exploração e produção da Galp deverá atingir os 80% nesta década

A área da exploração e produção de petróleo e gás já é responsável por cerca de 60% do valor da Galp, mas deverá crescer até 80% ao longo desta década, disse o presidente da petrolífera portuguesa em entrevista à Lusa. “Hoje cerca de 60% do nosso valor já está na área de produção e exploração […]

A área da exploração e produção de petróleo e gás já é responsável por cerca de 60% do valor da Galp, mas deverá crescer até 80% ao longo desta década, disse o presidente da petrolífera portuguesa em entrevista à Lusa.

“Hoje cerca de 60% do nosso valor já está na área de produção e exploração e, ao longo desta década, vai crescer até aos 75% a 80%”, afirma Manuel Ferreira de Oliveira, sublinhando, no entanto, que a Galp é uma empresa integrada, que continuará empenhada “numa refinação eficiente e competitiva no mercado europeu” e na distribuição.

Nesta área da exploração e produção o foco da empresa está “claramente” em três mercados: Brasil, Moçambique e Angola.

“Diria Brasil, Brasil, Brasil, Moçambique, Moçambique e Angola”, afirmou o gestor, acrescentando, no entanto, que a Galp “está sempre a analisar oportunidades nesta área”.

A Galp “já tem o privilégio de estar presente no que é inequivocamente o maior projeto de petróleo do mundo (…), no Brasil, e no maior projeto de gás do mundo(…), em Moçambique”, mas “está permanentemente” a ver onde existem oportunidades de participar em licitações para adquirir direitos exploratórios, frisa.

No Brasil, adianta, desde que o país abriu a sua geografia à concorrência, organizou processos de licitação “extremamente competitivos” e a Galp tem participado em todas as licitações. “Umas vezes ganhamos, outras não”, diz.

Em Moçambique está em curso um processo do mesmo tipo que poderá ocorrer em 2016 e Angola também tem áreas para licitar. “Estudamos todas, mas só vamos àquelas em que achamos que temos condições”, remata.

Em Moçambique, o grande projeto neste momento é produzir gás. “Naquela zona, as infraestruturas são muito limitadas, os desafios da engenharia gigantes. Somos uma de 11 empresas que está nesse projeto e vamos empenhar-nos para que seja um sucesso”, afirma Ferreira de Oliveira.

Explicando que “a única forma de colocar o gás moçambicano no mundo é através da liquefação”, admitiu que a Galp “tem de participar nas infraestruturas de liquefação”.

Quanto ao montante de investimento que essa área da exploração e produção poderá exigir nos próximos anos, Ferreira de Oliveira esclarece: “Esses números vão-se construindo. O nosso ciclo de planeamento é 2014/18. Neste período, o investimento [da empresa] será de entre 1,4 a 1,6 mil milhões de euros por ano, dos quais cerca de 80% são aplicados na exploração”.

Já na refinação, a Galp acabou de sair de um “gigantesco investimento nas duas refinarias”, que se não o tivesse feito estariam “fechadas neste momento”, frisa, porque os processos hoje estariam obsoletos.

“Se não tivéssemos investido nas nossas refinarias hoje seríamos puros importadores de produtos e teríamos um preço mais elevado ao consumidor. A nossa expectativa é que num ciclo de dez anos possamos remunerar o investimento”, diz.

Sobre os protestos públicos de trabalhadores da empresa relativamente às condições remuneratórias, Ferreira de Oliveira diz que “o momento do setor é difícil”, já que “os consumos dos combustíveis em Portugal e Espanha caíram 30% face a 2006” e “as margens de refinação estão difíceis”.

“Estamos a tentar fazer o possível para manter os custos sob controlo e otimizar os nossos processos. Isso nem sempre traz boas notícias. Temos partilhado as notícias boas e menos boas com os nossos colaboradores e alguns podem ter razões de queixa”, conclui.

OJE/Lusa

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