Petróleo reage em alta ao corte da OPEP+. Goldman espera subida para 110 dólares e 115 dólares o barril

Depois de a OPEP+ ter formalmente acordado uma redução de 2 milhões de barris por dia, a organização disse que as quotas permanecerão pelo menos em novembro e dezembro antes do retorno das suas reuniões semestrais naquele mês.

Sergei Karpukhin/Reuters

O petróleo estabiliza em máximos de três semanas (Brent perto dos 94 dólares) e o crude West Texas Intermediate (nos Estados Unidos) perto dos 90 dólares o barril, depois de a OPEP+ ter anunciado um corte agressivo na produção.

A OPEP+ cumpriu a expectativa de reduzir as quotas de produção em 2 milhões de barris por dia, equivalente a 2% do total, por forma a responder à descida dos preços, subida das taxas de juro e expectativa de redução da procura devido ao abrandamento da economia mundial.

O banco norte-americano Goldman Sachs escreve uma análise onde defende que “dadas as condições de esgotamento dos atuais inventários globais, o risco de picos de preços do petróleo ainda está presente”

“Se o mercado regressar ao nosso quadro de preços de escassez, exigindo a destruição da procura como reequilíbrio de último recurso, os preços poderão ainda subir mais 30 dólares por barril. Por agora, aumentamos as nossas previsões para o quarto trimestre de 2022 e primeiro trimestre de 2023 de forma conservadora em 10 dólares o barril, para o intervalo entre 110 dólares e 115 dólares o barril respetivamente, mas reconhecemos que há risco de os preços virem a ser mais altos”, dizem os analistas do Goldman Sachs.

O Goldman Sachs explica que as exportações irão provavelmente diminuir à medida que a Europa implementar o embargo e o teto de preços ao petróleo russo. “Esperamos que a produção russa diminua sequencialmente em 0,6 milhões de barris diários até à Primavera de 2023, uma previsão ainda mais conservadora do que a do próprio ministério russo do petróleo que é de -0,8 milhões de barris por dia”, refere o banco.

A União Europeia (UE) propôs a adoção de um teto sobre o preço do gás russo, uma medida que serviria para conter os custos de importação do combustível fóssil que tem inflacionado as contas do bloco, como sanção à Rússia.
Mas a Rússia já veio dizer que não exportará petróleo para os países que não respeitem os preços de mercado e que tentem limitá-los. O alerta foi deixado pelo vice primeiro-ministro russo, Alexander Novak, ao comentar a decisão de fixação do preço do crude russo pelo Ocidente.

Já em maio a UE previu a eliminação gradual das importações de petróleo por via marítima, mas o combustível fóssil continuará a chegar a países como a Hungria, República Checa e Eslováquia através do oleoduto Druzhba, que liga a Rússia à Europa central, representando 10% do total de importações da União Europeia. Na prática, o bloco comunitário anteviu em maio comprar menos 90% do petróleo russo até ao fim do ano. Por mês, a União Europeia garante à Rússia cerca de 20 mil milhões de euros em receitas de petróleo.

Recentemente, o deputado russo PM Novak disse que a Rússia pode reduzir temporariamente a produção em resposta a um plano liderado pelos EUA para impor um limite de preços ao petróleo russo.

Com vários membros do cartel a falharem as metas de produção, na prática este corte decidido em Viena é de um milhão de barris, o que ainda assim gerou fortes críticas dos EUA, que acusam a Arábia Saudita de estar a dar a mão à Rússia, refere a análise da BA&N Unit Research. A administração Biden disse mesmo que a produção petrolífera “alinha a OPEP com a Rússia” e anunciou que iria explorar opções com o Congresso dos EUA sobre como reduzir a influência do cartel sobre os preços da energia.

Os preços reagiram em alta, prolongando o movimento das últimas sessões, com o Brent a atingir um máximo de três semanas nos 94 dólares.

Depois de a OPEP+ ter formalmente acordado uma redução de 2 milhões de barris por dia, a organização disse que as quotas permanecerão pelo menos em novembro e dezembro antes do retorno das suas reuniões semestrais naquele mês. O cartel também concordou em estender a sua estrutura, presumivelmente com as linhas de base atuais, até ao final de 2023.

 

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