Petróleo russo negociado ao largo da Madeira. Manobra em alto mar com riscos ambientais

O petróleo foi transferido de um navio para outro a 100 milhas das águas portuguesas e apenas a poucos dias do embargo russo pela UE ser aprovado.

epa09910064 Russian President Vladimir Putin meets with Russian Olympic and Paralympic athletes during a state awards ceremony for Russian medal winners of the Beijing 2022 Olympic Winter Games at the Kremlin in Moscow, Russia, 26 April 2022. EPA/YURI KOCHETKOV

Petróleo russo está a ser negociado ao largo da Madeira em águas internacionais e em manobras arriscadas que podem trazer consequências ambientais.

A transação teve lugar no final de maio, poucos dias antes da União Europeia aprovar o embargo de petróleo russo.

O petroleiro Zhen I transferiu a sua carga para o superpetroleiro Lauren II em pleno oceano Atlântico, 300 milhas náuticas a oeste da Madeira, a 100 milhas de distância das águas nacionais entre 26 e 27 de maio.

A revelação foi feita pela “Bloomberg” que destaca que esta é uma forma pouco usual de vender petróleo. Os russos estão a usar novos métodos (afastam-se da Europa e dos embargos) para vender o seu petróleo. Este tipo de transferência costuma ter lugar em águas mais calmas e perto da costa, e não em pleno mar alto, aumentando assim o risco de derrames.

O mesmo tipo de transferência – de um navio mais pequeno para um maior – já teve lugar em várias localizações (Dinamarca, no Mediterrâneo a norte de Ceuta e no Mar do Norte ao largo de Roterdão), mas esta é a primeira transferência vista em mar alto.

O Zhen I regressou ao Mar Báltico onde vai carregar mais petróleo no porto russo de Primorsk em meados de junho. Já o Lauren II está a navegar no meio do oceano Atlântico, possivelmente aguardando por mais petróleo, segundo a “Bloomberg”. O Lauren II tem três vezes o tamanho do Zhen I, uma escolha mais sensata para transportar o petróleo para distâncias maiores.

As refinarias europeias já estão a aplicar o embargo ao petróleo russo, obrigando os produtores do país de Putin a viajarem mais para colocarem o crude, como a Índia ou a China.

As vendas de petróleo no meio do oceano Atlântico podem começar a tornar-se mais comuns para a Rússia tentar vender o excedente de crude.

 

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