PGR abre inquérito à montaria que resultou na morte de 540 animais na Torre Bela

“Confirma-se a instauração de um inquérito que corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa Norte (Alenquer)”, respondeu ao Jornal Económico fonte oficial do Ministério Público quando questionada sobre o assunto.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) instaurou um inquérito à montaria que resultou na morte de 540 animais na Herdade da Torre Bela.

“Confirma-se a instauração de um inquérito que corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa Norte (Alenquer)”, respondeu ao Jornal Económico fonte oficial da PGR quando questionada sobre o assunto.

A 17 de dezembro, uma montaria nesta quinta resultou no abate de 540 animais selvagens, a maioria veados e javalis, mas a Torre Bela descartou responsabilidades, argumentando que não teve qualquer participação direta ou indireta na mesma e que foram ultrapassados os limites acordados para a atividade de caça.

A herdade lamentou, na véspera de Natal, a “forma errada, ilegítima e abusiva” como se conduziu a suprarreferida montaria, da qual teve conhecimento apenas pela comunicação social. A propriedade e os seus representantes têm colaborado desde o primeiro momento com as autoridades, de forma a apurar responsabilidades e, caso se adeque, “ser ressarcida de todos os prejuízos” causados por este acontecimento, segundo um comunicado enviado à imprensa.

No início da semana passada, depois de o caso ter vindo a público e gerado reações de repúdio e revolta na sociedade civil e junto dos vários partidos políticos, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, admitiu uma revisão da Lei da Caça, que não obriga a uma comunicação ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas – que também abriu um processo para averiguar “os factos ocorridos e eventuais ilícitos” – deste tipo de atividades.

Relacionadas

Matos Fernandes suspende avaliação de impacto ambiental da Quinta da Torre Bela

Para além da suspensão da avaliação do impacto ambiental para a construção de painéis fotovoltaicos na Quinta da Torre Bela, o ministro revelou que o Governo procedeu à entrega uma queixa no Ministério Público, tendo sido também ordenada uma inspeção a todas as zonas turísticas de caça (1.500 zonas).

PAN requer audição com ministro do Ambiente sobre morte de mais de 500 animais na Azambuja

O PAN “já questionou o Governo, através do Ministério do Ambiente e Ação Climática, liderado por João Pedro Matos Fernandes, com vista a apurar o que levou à autorização desta montaria, numa zona de grande sensibilidade ecológica, envolta em polémica, para onde está, inclusivamente, prevista a instalação de uma central fotovoltaica com 775 hectares”.
Recomendadas

Porto Law Summit debate prós e contras das sociedades multidisciplinares

As sociedades multidisciplinares – uma espécie de loja do cidadão onde um cliente passará a encontrar uma multiplicidade de serviços – estão a chegar. Mas não é claro se os advogados estão disponíveis para as aceitar. O bastonário definitivamente não está.

Conselho de Ministros gastou um milhão em equipamento informático

Um mês depois de o NOVO ter noticiado que o Conselho de Ministros gastou um milhão em equipamento informático, a Polícia Judiciária entrou na sede da Presidência do Conselho de Ministros para fazer buscas. O alvo principal da operação é o próprio secretário-geral, David Xavier, suspeito de corrupção na aquisição de sistemas informáticos para o Estado.

PJ faz buscas na Presidência do Conselho de Ministros e na casa de ex-funcionários

Em causa estão suspeitas de corrupção, participação económica em negócio e de falsificação de documento. Na mira da PJ estão ex-funcionários da Secretaria Geral da Presidência do Conselho de Ministros, atualmente liderada por David Xavier. Esta investigação terá sido aberta em 2017 depois de extraída uma certidão de um outro processo onde se investigam situações similares ao nível da contratação pública por parte de organismos do Estado, apurou o JE.
Comentários