Pharol e CTT impulsionam ganhos na bolsa nacional

O principal índice português, PSI 20, soma 0,03% para os 5.432,74 pontos, impulsionado pelos ganhos da Pharol e dos CTT.

A bolsa portuguesa abriu sessão esta quarta-feira a negociar na linha de água, contrariando o sentimento negativo das praças europeias. O principal índice português, PSI 20, soma 0,03% para os 5.432,74 pontos, impulsionado pelos ganhos da Pharol e dos CTT.

A cotada que mais sobe é a Pharol, que valoriza 6,59% para os 0,291 euros. Paulo Rosa, trader da Gobulling – Banco Carregosa, explica que a empresa está a ser beneficiada pela aprovação do plano de estruturação aprovado pela operadora brasileira de telecomunicações Oi, em Assembleia Geral de Credores. “O plano de recuperação da empresa, que vai permitir à operadora brasileira reduzir a dívida para metade, está a beneficiar os títulos da Pharol, que é a maior acionista”, sustenta.

A seguir de perto a Pharol estão os CTT, que sobem 6,47% para os 3,720 euros. Paulo Rosa explica que os ganhos da cotada estão a ser impulsionados pelo novo plano de reestruturação apresentado pelo operador postal esta segunda-feira e que inclui cortes de 25% nos salários dos gestores e a redução de 800 postos de trabalho nas operações.

“O arrojado corte de custos está a impulsionar os ganhos da cotada, isto porque depois da privatização do operador foram vários os investidores que aderiram às ações deste título, que nas últimas semanas sofreu pesadas penalizações. A discussão no Parlamento de uma eventual nacionalização, como defende o Executivo socialista, apoiado pelos partidos à esquerda, está a ser bem vista pelos investidores”, explica o trader da Gobulling – Banco Carregosa.

Em terreno positivo estão também a Jerónimo Martins (0,31%), a Corticeira Amorim (0,67%) e a REN (0,32%).

Em sentido contrário, Paulo Rosa destaca a queda dos títulos da EDP Renováveis. A cotada perde 1,41% para os 6,736 euros, depois de ter sido anunciada a compra de 14,46% da Centrais Elétricas de Santa Catarina pela EDP Brasil por 59,2 milhões de euros. Além disso, a EDP Brasil lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre mais 32% de ações preferenciais.

“O grupo EDP reage em baixa a esta compra, sendo esta desvalorização mais notória na EDP Renováveis do que na casa-mãe devido à pouca liquidez do título, que faz amplificar a queda”, explica Paulo Rosa, notando que a EDP cai 0,79% para os 2,902 euros.

A cair estão também os títulos do BCP, que perde 0,19% para os 0,269 euros, negociando muito perto de renovar máximos de agosto de 2016, ao atingir os 27 cêntimos por ação. “É bastante provável que a cotada venha a ultrapassar os 27 cêntimos por ação”, nota o trader da Gobulling .

A negociar com perdas estão também a Galp Energia (-0,22%), NOS (-0,42%), Sonae (-0,77%), Semapa (-0,53) e a Navigator (0,09%).

Nas praças europeias, o alemão DAX perde 0,48%, o francês CAC 40 recua 0,32%, o espanhol IBEX 35 desvaloriza 0,68%, o italiano FTSE MIB resvala 0,09%, o holandês AEX tomba 0,25% e o britânico FTSE 100 segue a perder 0,62%.

Paulo Rosa indica que as bolsas europeias estão a refletir o fecho do mercado norte-americano, que encerrou em queda. O dia fica também marcado pela aprovação do pleno fiscal do presidente norte-americano, Donald Trump, nos Estados Unidos. “Gerou-se uma espécie de impasse com a aprovação do plano na Câmara dos Representantes e a sua passagem ao Senado. O plano teve no entanto que recuar à Câmara dos Representantes devido a um obstáculo processual. O pacote de medidas deve agora ser votada novamente esta quarta-feira”, explica o trader da Gobulling.

No mercado petrolífero, o brent sobe 0,24% para os 63,95 dólares por barril e o crude WTI valoriza 0,30% para os 57,73 dólares.

No mercado cambial, o euro recua 0,02% para 1,183 dólares e a libra soma 0,06% para 1,339 dólares.

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