PJ realiza buscas em INEM de Lisboa, Porto e Gaia

Mais de 20 buscas têm como alvo a logística que envolve a contratação pública do INEM. Em causa estão suspeitas de corrupção e crimes conexos.

A Polícia Judiciária (PJ) estará a levar a cabo, esta quinta-feira, novas buscas ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Mais de 20 buscas, domiciliárias e não domiciliárias, estão a ser realizadas. INEM de Lisboa, Porto e Vila Nova de Gaia são alguns dos alvos.

As autoridades estarão a recolher documentação sobre ajustes diretos feitos por um antigo diretor do Gabinete de Logística e Operações daquele instituto público. Em causa estão vários contratos relacionados com o fornecimento de ambulâncias, bem como formação de funcionários. Na mira da Justiça estão suspeitas de corrupção e crimes conexos.

A SIC Notícias avança que Paulo Campos, ex-presidente da instituição, que abandonou o cargo depois da polémica em torno do alegado uso indevido de helicópteros do INEM, é um dos alvos desta nova investigação.

A empresa Futurvida, cuja área de atividade está relacionada com veículos de emergência, é outra das visadas.

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) confirmou, entretanto, “a realização de várias buscas domiciliárias e a um instituto público”, no âmbito de um inquérito em que se recolhem indícios da prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio e abuso de poder.

Em comunicado, a PGDL, dá conta que a investigação visa “a atuação do responsável principal desse instituto, por factos indiciariamente praticados no exercício das suas funções públicas e com violação dos deveres inerentes”.

A operação iniciou-se esta manhã e está a cargo da Unidade Nacional Contra a Corrupção (UNCC) da PJ, dirigida e com a participação de Magistrados do Ministério Público da 9ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

No início desta semana, o INEM tinha já sido alvo de buscas no âmbito da Operação 0 – (O negativo) que investiga suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais no denominado caso ‘Máfia do Sangue’. A operação desencadeada, na terça-feira, levou à detenção de Luís Cunha Ribeiro, ex-presidente do INEM e da ARS de Lisboa e à constituição de mais três arguidos, dois advogados e uma representante, à data dos factos, da Associação Portuguesa de Hemofilia.

Neste inquérito investiga-se a atribuição à farmacêutica Octapharma do monopólio da venda do plasma sanguíneo aos hospitais portugueses, tendo o antigo líder do INEM alegadamente beneficiado deste negócio ao longo de mais de uma década. Uma reportagem da TVI denunciou o negócio do plasma em Portugal que comprava plasma àquela empresa em vez de aproveitar o dos dadores portugueses. Um negócio que valeu milhões de euros a Cunha Ribeiro e a Lalanda de Castro, responsável da Octapharma, que foi quem deu emprego a José Sócrates depois de o ex-primeiro-ministro ter deixado o Executivo e é também um dos arguidos do processo “Operação Marquês”. Segundo o Jornal Económico apurou, os negócios suspeitos em investigação ascendem a mais de 100 milhões de euros – valor dos contratos entre o Estado e a Octapharma.

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