Plano de Costa e Silva para a próxima década é apresentado hoje no CCB

Às 10h15 desta terça-feira, António Costa e Silva apresenta a sua visão para a próxima década do país. O plano já deverá incluir o contributo dos ministros do Governo, depois de ter sido entregue ao Conselho de Ministros há duas semanas.

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Cristina Bernardo

A visão que António Costa e Silva para a economia nacional nos próximos dez anos é apresentada esta terça-feira, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

A versão preliminar do “Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030”, tornada pública no passado dia 9, assentou na reindustrialização da economia portuguesa e postulou dez eixos para a transformação de tecido produtivo português.

O primeiro-ministro, António Costa, que encomendou o plano, já disse que as ideias de a António Costa e Silva, professor do Instituto Superior Técnico e CEO da Partex, ia ser apreciado pelo diferentes ministros do Executivo.

No passado dia 10 de julho, António costa referiu que os ministros iam apreciar a primeira fase do trabalho e que se preparavam “nos próximos dias” para enviar “comentários a esse trabalho”.

“O objetivo que temos é que no final deste mês possa ser apresentado pelo professor António Costa e Silva para discussão pública antes de o Governo o poder apreciar definitivamente”, revelou o primeiro-ministro.

Às 10h15 desta terça-feira, António Costa e Silva apresenta, pois, a sua visão para a próxima década do país. O plano que será hoje apresentado já deverá incluir o contributo dos ministros do Governo, depois de ter sido entregue ao Conselho de Ministros há duas semanas.

Depois de ser apresentado, numa cerimónia onde também estará presente o ministro de Estado, da Economia e da transição digital, Pedro Siza Vieira, haverá lugar a debate público.

“Quando no final do mês for possível uma leitura global, ficaremos com uma visão mais clara do que é o plano. Aí ficará para discussão pública e o Governo, em função daquilo que for o enriquecimento desse debate, cá estará para desenhar os instrumentos de política que são urgentes desenhar para a recuperação económica do país e que terá traduções múltiplas, desde logo no Orçamento do Estado para 2021”, disse o primeiro-ministro.

O plano, apesar de preliminar, suscitou críticas. Talvez a mais altiva tenha surgido de Joaquim Miranda Sarmento, presidente do conselho estratégico nacional (CEN) do PSD.

Num artigo de opinião publicado no jornal “Eco”, o economista social-democrata considerou que o documento “é mais um naco de prosa socialista. Muito floreado, muito bem escrito, com umas tiradas muito giras sobre geopolítica e estratégia, mas com pouco de substantivo e concreto”.

Joaquim Miranda Sarmento o plano por reforçar o peso do Estado na economia nacional. “A prova que este plano é mais Estado, Estado, Estado e investimento público, com o Governo a tudo dirigir e a tudo controlar (indicando até os sectores onde os empresários devem investir) é que o investimento privado tem direito a três linhas, muito vagas e irrelevantes” — “investimentos associados aos leilões para parques solares e projectos da responsabilidade de entidades que desempenham funções de serviço público”.

O presidente do CEN lembrou ainda que a versão preliminar omitiu as necessidades de financiamento para a execução das ideias e vincou que o PSD vai apresentar o seu plano estratégico “depois de ficar claro qual o enquadramento europeu de resposta a esta crise económica”.

Após a apresentação do plano esta terça-feira, seguir-se um debate no CCB, cuja moderadora será Rosália Amorim, diretora editorial do Dinheiro Vivo, e no qual marcarão presença António Costa e Silva, a professora da FCT Universidade NOVA de Lisboa, Júlia Seixas, a presidente da COTEC, Isabel Furtado,  a professora na Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa, Porto, Francisca Guedes de Oliveira e o professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Paulo Pinho.

Francisco Assis, o novo presidente do Conselho Económico e Social (CES), teceu críticas, esta segunda-feira, sobre o facto de o programa de recuperação da economia portuguesa não poder “ser obra de um homem só, nem de um só Governo“.

“Um plano numa economia de mercado é sempre uma coisa muito contingente. De qualquer maneira, há que haver alguma perspetiva. Agora, isso não pode ser obra de um só homem, nem de um só Governo. Tem que envolver uma ampla participação pública”, vincou Francisco de Assis.

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