Plano de Drenagem de Lisboa. Construção dos túneis deve arrancar este mês

As obras para a construção dos dois túneis previstos no Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL) devem começar neste mês de setembro em Campolide, referiu hoje a câmara municipal, sem indicar datas concretas, mas antecipando condicionamentos no trânsito.

“As datas concretas para o arranque da obra e dos respetivos estaleiros estão ainda pendentes da fase final de negociação com o consórcio empreiteiro em relação às condições de consignação”, informou a Câmara Municipal de Lisboa, estimando que a instalação do estaleiro em Campolide e o início da perfuração nesse local, que se previam ter início em agosto, avancem em setembro.

Em resposta à agência Lusa, a autarquia referiu que a data anterior tinha sido estimada em junho. Houve entretanto trabalhos preparatórios em julho e agosto, e agora é possível adiantar “com maior grau de segurança” quando é que se iniciam as obras, prevendo-se que em Campolide se iniciem em setembro, em Santa Apolónia e Beato (Avenida Infante Dom Henrique) entre outubro e novembro, na Avenida Almirante Reis e Chelas até dezembro, e na Avenida da Liberdade e Rua de Santa Marta em fevereiro de 2023.

Com o período de execução 2016-2030 e um investimento total de cerca de 250 milhões de euros, o Plano Geral de Drenagem de Lisboa é “a obra invisível” que vai proteger a cidade para os impactos das alterações climáticas, nomeadamente para evitar cheias e inundações; permitir a reutilização de águas para alimentar e reforçar a rede de rega de espaços verdes, a lavagem de ruas e as redes de combate a incêndios; e diminuir a fatura da água potável.

Considerado a obra municipal de maior envergadura alguma vez levada a cabo pela Câmara de Lisboa, o PGDL prevê a construção de dois grandes túneis de drenagem para transvase de bacias, numa empreitada que custará “cerca de 133 milhões de euros” e que se prevê concluída no início de 2025.

Um dos túneis começa em Campolide (na Quinta José Pinto) e sai em Santa Apolónia, com uma extensão de cerca de cinco quilómetros, e o outro será construído a partir do Beato, na Avenida Infante D. Henrique (perto da Rua do Açúcar), até Chelas (perto do Convento de Chelas), com uma extensão de um quilómetro.

Esta obra terá sete estaleiros – Campolide, Avenida da Liberdade, Rua de Santa Marta/Barata Salgueiro, Avenida Almirante Reis/Rua Antero de Quental, Santa Apolónia, Chelas e Beato – e “apresentará condicionamentos à superfície”, avisou a autarquia, afirmando que estão a ser analisadas várias formas de mitigar os impactos.

“Dada a complexidade, extensão e natureza da obra, foram garantidas as condições possíveis em termos de condicionamentos, mantendo circuitos pedonais, acessibilidades, mobilidade suave, assim como foram atenuados os impactes no trânsito da cidade, em particular garantindo condições de operação aos transportes públicos (em estreita ligação com a Carris), corredores de emergência e de socorro (em estreita articulação com a Polícia Municipal)”, assegurou.

Relativamente aos constrangimentos para os moradores, a câmara tentou reduzir “ao mínimo possível” a retirada de lugares de estacionamento, procurando assegurar os acessos a garagens e a manutenção de lugares na via pública, mas está ainda a estudar outros locais para estacionamento, em articulação com a empresa municipal EMEL.

Quanto aos comerciantes e lojistas das zonas afetadas, estão a ser estudados mecanismos de compensação que poderão passar pela “isenção de taxas de ocupação de via pública, isenções de outras taxas municipais e mecanismos indemnizatórios por comprovada perda de receitas diretamente associada à presença do estaleiro”.

Esse trabalho está a ser feito em estreita ligação com a União de Associações do Comércio e Serviços (UACS) e a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

Questionada sobre os impactes da perfuração nos edifícios à superfície, inclusive prédios de habitação, a Câmara de Lisboa, presidida por Carlos Moedas (PSD), explicou que a tuneladora opera a uma profundidade média de 30 a 40 metros e “não se prevê a existência de qualquer dano em qualquer imóvel”. Os estes trabalhos são acompanhados pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Além disso, a equipa do projeto do PGDL, liderada pelo engenheiro Silva Ferreira (que foi também o coordenador municipal da obra do Túnel do Marquês), promoveu vistorias “a cerca de 3.900 frações habitacionais”, numa extensão de 30 metros para cada lado a partir do eixo de cada túnel.

A construção dos dois túneis será feita com a tuneladora H2OLisboa, fabricada na China, que tem 130 metros de comprimento e “avança cerca de 10 metros por dia”, de acordo com informação disponibilizada no ‘site’.

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