Plano de reestruturação da TAP prevê redução de 25% nas rotas e corte de custos com pessoal de 1,4 mil milhões até 2025

Plano de reestruturação da TAP prevê redução de 25% no número de rotas da companhia aérea, passando de cem para 75. As rotas com partida do Porto vão passar de 15 para cerca de 10, segundo a mesma fonte, o que corresponde a uma redução de 33%. Plano prevê poupança de 1,4 mil milhões de euros em custos com o pessoal, até 2025. Acordos de empresa serão suspensos.

O plano de reestruturação da TAP prevê uma redução de 25% nas rotas da companhia aérea, para cerca de 75, com um corte de custos com pessoal de 1,4 mil milhões de euros até 2025, segundo informações transmitidas pelo ministro Pedro Nuno Santos aos grupos parlamentares.

O Governo esteve reunido em Conselho de Ministros extraordinário na noite de terça-feira, para apreciar o plano de reestruturação da TAP, que será entregue em Bruxelas até amanhã, quinta-feira. Antes disso, o ministro das Infraestruturas está a apresentar o plano aos vários grupos parlamentares, em reuniões que decorrem à porta fechada. Após a entrega à Comissão Europeia, o Governo deverá fazer uma apresentação pública do plano de reestruturação.

O plano de reestruturação prevê o despedimento de 500 pilotos, 750 tripulantes de cabine e 750 trabalhadores de terra, a redução de 25% da massa salarial do grupo e do número de aviões que compõem a frota da companhia, divulgaram os sindicatos que os representam.

Ao que o Jornal Económico apurou junto de fontes parlamentares, a redução de custos com pessoal será de 1,4 mil milhões de euros até 2025, incluindo cerca de 80 milhões por ano relativos a encargos previstos nos acordos de empresa, que serão suspensos.

De acordo com as mesmas fontes, o Governo considera que será possível reforçar as equipas da TAP ao longo dos próximos anos, à medida que a atividade da companhia aérea recuperar, mas com menores custos salariais. “Algumas das pessoas que vão sair agora poderão mesmo regressar”, disse uma das fontes ouvidas pelo JE.

A apresentação do plano de reestruturação da TAP à Comissão Europeia até quinta-feira é uma exigência da Comissão Europeia, pela concessão de um empréstimo do Estado de até 1,2 mil milhões de euros, para fazer face às dificuldades da companhia, decorrentes do impacto da pandemia de Covid-19 no setor da aviação.

Nas reuniões com os deputados, o ministro das Infraestruturas não confirmou a informação avançada este domingo pelo comentador Luís Marques Mendes, segundo a qual o Governo pretende levar o plano a votação na Assembleia da República.

Porto vai perder um terço das rotas atuais

A redução das rotas da companhia de bandeira nacional será da ordem dos 25%, passando das cem que tinha em 2019 para 75 em 2021. As rotas com partida do Porto vão passar de 15 para cerca de 10, segundo a mesma fonte, o que corresponde a uma redução de 33%.

Questionada pelo JE, fonte oficial do Ministério das Infraestruturas declinou fazer quaisquer comentários antes da entrega do plano de reestruturação em Bruxelas.

[Atualizada às 15h58 com reação do Ministério]

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