PMI voltam a subir e recessão na zona euro parece cada vez mais improvável

O início ameno do inverno na Europa deu uma ajuda preciosa à economia da moeda única, colocando menor pressão nos custos das empresas e deprimindo a procura menos do que o temido. Estagnação no início do ano torna-se o cenário mais credível, com a recessão cada vez “uma questão semântica”.

Bruxelas – 14º lugar

As perspetivas económicas para a zona euro continuam a melhorar depois do cenário negro previsto no final de 2022, que tem vindo a ser evitado com a ajuda de um inverno mais ameno do que o habitual. O índice de gestores de compras (PMI) divulgado esta terça-feira é mais um sinal nesse sentido e vários analistas afastam-se cada vez mais da possibilidade de uma recessão no Velho Continente, perante a performance acima do projetado.

O PMI composto para a zona euro subiu novamente em janeiro, de acordo com a estimativa rápida divulgada esta terça-feira, mostrando não só uma maior resistência aos choques negativos que afetaram a produção no bloco da moeda única, mas também o retorno ao otimismo e a terreno de expansão da atividade.

O indicador composto para a zona euro subiu mais do que o esperado, voltando a território positivo, ou seja, acima de 50, ao saltar de 49,3 para 50,2, quando a projeção era de uma subida apenas até 49,8. O subindicador referente aos serviços também conseguiu ficar acima de 50 (50,7, mais especificamente), refletindo uma expectativa de aumento da atividade naquele sector, enquanto o da indústria deu um salto assinalável até 48,8, depois de ficar em 47,8 no mês anterior.

Explica o departamento de análise financeira e económica do banco ING, o mês ameno de dezembro poupou os stocks de gás naturais europeus, colocando menos pressão nos custos do tecido produtivo da zona euro e mantendo a sua economia acima da quebra. Isto trará boas notícias do lado da inflação, embora se projete que “os preços de revenda devam manter-se elevados”, beneficiando as margens de lucro das empresas.

Ao mesmo tempo, o mercado laboral continua forte e rígido, pelo que podem começar a surgir pressões nos salários que agravam a dinâmica inflacionista, continua o ING.

Ainda assim, a estagnação económica será evidente, dado que “a diferença entre -0,1% ou 0,1% de crescimento é interessante para os economistas”, mas com poucos efeitos na economia real.

Olhando para o detalhe, a subida não foi transversal às principais economias europeias, a alemã e francesa, para quem os dados preliminares foram também divulgados esta terça-feira. O indicador composto para a economia francesa até recuou, ainda que marginalmente, de 49,1 para 49, isto apesar da melhoria na indústria, que saltou de 49,2 para 50,8. Em sentido inverso, o PMI dos serviços caiu de 49,5 para 49,2, mantendo-se, portanto, perto de valores de expansão da atividade.

Na Alemanha o cenário é o inverso: o indicador composto até subiu, passando de 49,0 para 49,7 e contando com o contributo assinalável dos serviços que saltaram de 49,2 para 50,4. As dificuldades mantêm-se do lado da indústria, embora a queda tenha sido bastante limitada, de 47,1 para 47.

Sublinha a Pantheon Macro, estes números continuam a apontar para uma procura deprimida, embora com uma quebra muito menos pronunciada do que se temeu no final do ano passado. Combinada com o abrandamento “de curta duração” previsto pelas empresas francesas, o cenário base para o primeiro trimestre europeu aproxima-se cada vez mais do crescimento nulo ou anémico, com riscos ascendentes “apesar da guerra na Ucrânia” e a questão da recessão a “tornar-se cada vez de semântica”, remata o ING.

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