Pneumonia: Médicos de saúde pública recomendam novas comparticipações

A Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) defende que o Estado deve comparticipar as duas novas vacinas contra a pneumonia já disponíveis em Portugal.

Reuters

A Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) defendeu esta quarta-feira que o Estado deve comparticipar as duas novas vacinas contra a pneumonia já disponíveis em Portugal para reforçar a proteção imunológica dos adultos.

“A pneumonia continua a ser um fator de risco de mortalidade importante que pode ser minimizado de forma substancial e essas duas novas vacinas vêm trazer uma nova esperança no combate a esta doença”, disse o presidente da ANMSP.

Nesse sentido, a associação divulgou hoje uma recomendação para que seja equacionada a comparticipação das vacinas Pn15 e Pn20, de “modo a garantir um acesso equitativo dos cidadãos a uma proteção imunológica mais robusta”, e para que a Direção-Geral da Saúde atualize a sua norma sobre a vacinação pneumocócica.

Estas vacinas destinam-se a idosos com 65 ou mais anos e pessoas a partir do 18 anos com comorbilidades.

Segundo Gustavo Tato Borges, as duas novas vacinas já estão disponíveis no mercado e à venda em Portugal, mas não são comparticipadas pelo Serviço Nacional de Saúde, uma situação que deve ser alterada “para que o mais depressa possível a população possa ser protegida”.

“São inovações no campo da farmacologia que vão permitir uma melhor proteção para as pneumonias e para a população mais idosa”, disse o médico, ao salientar que as novas vacinas conjugadas “trazem maior capacidade de produção de anticorpos e uma proteção mais duradoura”.

Gustavo Tato Borges salientou ainda que a pneumonia continua a ser “um dos principais fatores de risco e causa de mortalidade na população mais idosa”, estando subdiagnosticada nessa população.

A recomendação da ANMSP refere que, em 2016, as infeções pneumocócicas das vias aéreas inferiores foram responsáveis por mais de um milhão de mortes a nível mundial, com uma incidência de 26,7 por mil pessoas para todos os grupos etários.

Segundo o documento, uma tendência de aumento da incidência foi também registada em Portugal no período entre 2015 (1,4 casos por 100.000 habitantes) e 2017 (1,6 casos por 100.000 habitantes).

“Para aumentar a proteção imunológica da população mundial, a indústria farmacêutica tem feito esforços para desenvolver vacinas com uma maior cobertura dos serotipos em circulação e, em 2022, foram lançadas no mercado duas novas vacinas pneumocócicas conjugadas: uma com cobertura para 15 serotipos (Pn15) e outra para 20 serotipos do S. pneumoniae (Pn20)”, explica ainda a recomendação.

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