Pode a NATO sobreviver a Trump?

A única vez que a NATO invocou a chamada cláusula de defesa coletiva foi para ajudar os EUA após os ataques de 11 de setembro.

Os ministros das Relações Exteriores da NATO tranquilizam-se mutuamente afirmando que a mudança da política externa do presidente eleito Donald Trump não enfraquecerá a defesa da Europa contra Vladimir Putin.

Representantes dos 28 países da Organização do Tratado do Atlântico Norte questionaram hoje em Bruxelas o que vai acontecer ao “vínculo transatlântico”.

Alarmados pela retórica de Trump durante a campanha eleitoral, ao sugerir que os EUA poderiam não manter a sua promessa de defender todos os aliados da NATO, os governos da organização pretendem estabelecer a aparência de uma frente unida antes de Trump assumir o cargo no próximo mês.

As nações da NATO precisam de “mostrar a força do vínculo transatlântico”, especialmente durante o atual período “de mais incerteza e um ambiente de segurança mais imprevisível”, disse o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, ontem segundo a Bloomberg.

A vitória de Trump coloca a organização num dos maiores períodos de reflexão, agravando a incerteza já provocada pela Brexit, um aumento do populismo na Europa e uma Rússia recém-assertiva.

Os países da Europa de Leste, particularmente aqueles que partilham fronteiras terrestres com a Rússia, apoiam-se no compromisso dos EUA com a NATO, essencialmente no princípio subjacente de que um ataque a um membro é um ataque a todos (já que Putin transferiu tropas e armas na sua direção).

Paralelamente às dúvidas sobre a eficácia da aliança ocidental, Trump aproveitou ainda a sua campanha eleitoral para elogiar Putin, a quem a NATO acusou de ajudar os separatistas na Ucrânia.

O enviado dos EUA à NATO, Douglas Lute, disse aos repórteres em Bruxelas que esperava que a nova administração americana visse as vantagens da cooperação transatlântica, afirmando que “há muito mais a fazer e de forma mais eficiente se cooperarmos”.

Em julho, Trump disse ao New York Times que os EUA só defenderiam os aliados da NATO se estes “cumprirem as suas obrigações para connosco”, uma crítica aos baixos gastos militares dos restantes membros, já que apenas quatro dos 23 países da NATO cumpriram o compromisso de gastar pelo menos 2% do PIB na defesa, enquanto os EUA contribuem com mais de 70% das despesas gerais de defesa da aliança.

A única vez que a NATO invocou a chamada cláusula de defesa coletiva foi para ajudar os EUA após os ataques de 11 de setembro.

Enquanto os ministros não têm uma ideia clara sobre a estratégia externa de Trump, tentam amenizar as dúvidas existentes, o que pode acontecer na forma de novos compromissos para sustentar as despesas de defesa e uma promessa de que a aliança assumirá um papel mais forte na luta contra o terrorismo.

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