Podemos ser ainda melhores

2030 está logo ali. Há condições a melhorar, infraestruturas a desenvolver, preconceitos a derrubar, novas receitas. a explorar

Portugal foi campeão da Europa em 2016, organizou e venceu a primeira edição da Liga das Nações (2019) e esteve nas meias-finais do Euro-2012. Estamos no lote restrito de quatro seleções totalistas de Mundiais e Euros neste século (as outras três são, precisamente, as três últimas campeãs do Mundo: Espanha, Alemanha e França). Estivemos em duas finais Euro Sub-21 (desde 2015, só Alemanha e Espanha podem dizer o mesmo). Somos campeões do Mundo e bicampeões da Europa de Futsal (nunca tinha acontecido, nem Espanha o tinha atingido). Somos tricampeões da Europa de Futebol de Praia (já garantimos vaga na Final Four em Itália para buscarmos, em setembro, o “tetra”) e vencemos dois dos últimos quatro Mundiais (ninguém pode dizer o mesmo desde 2015).

Na soma das três modalidades FPF (Futebol/Futsal/Futebol Praia), as Seleções de Portugal mostram um desempenho notável na última década: 15 títulos, 28 Finais, 41 Meias-Finais, 71 Fases Finais.

Numa frase: 2012-2022 foi a melhor década da História do Futebol português.

É certo que na década anterior já tínhamos chegado muito perto: Final do Euro 2004 (e grande sucesso organizativo) e quarto lugar no Mundial-2006. Mas havia a sensação de que faltava sempre “qualquer coisa” – e foi esse passo decisivo que conseguimos concretizar com regularidade.

Havia duas formas de gerirmos este sucesso improvável para um país de dimensão pequena-média e geografia periférica no continente europeu: descansar sob os louros conquistados ou encarar estes resultados como um desafio tremendo para fazermos ainda melhor.
Quem conhece o rigor, a exigência e o foco dos nossos jogadores, dos nossos treinadores e dos nossos dirigentes facilmente saberá a resposta do caminho que entendemos escolher.

Como Presidente da FPF, tenho o orgulho e o privilégio de ter vivido, nestes dez anos e meio, momentos muitos especiais. Sei que não caíram do céu: só foram possíveis graças a muito trabalho, planeamento estratégico e fruto de uma junção de talento, qualidade e propósito.
Destacaria dois momentos essenciais: a Cidade do Futebol como mudança de paradigma no trabalho conjunto e articulado dos diversos setores da FPF e na construção de uma “cultura de Seleção”; a aposta na Unidade de Saúde e Performance (outubro 2014) e na Portugal Football School (abril 2017), mais recentemente com o Portugal Football Observatory, como alavancas baseadas no Conhecimento ao serviço da formação e no aperfeiçoamento de capacidades e competências dos agentes desportivos.

O Feminino tem tido um crescimento espantoso e mostra um potencial extraordinário para os próximos anos (os dois vice-títulos europeus seguidos da nossa Seleção Feminina Futsal e as duas presenças consecutivas na fase final do Euro Feminino Futebol, sempre com desempenhos entusiasmantes) são disso as melhores provas.

Ao sucesso das Seleções de Portugal nestes dez anos e meio devemos também juntar o avanço em áreas fundamentais para estarmos perto de quem consome Futebol (das mais diversas formas) em 2022: apostámos nos eSports, agora com o nome FPFeFootball; Portugal foi campeão europeu de Futebol Virtual; desenvolvemos a área de Integridade (combate ao “Match Fixing”, promoção dos Direitos Humanos), avançámos decisivamente no Licenciamento de Clubes e Certificação de Entidades Formadoras; chegámos a novos públicos, com o 11, primeiro canal multiplataforma (TV, redes sociais) do Futebol Português, num projeto justamente reconhecido pela UEFA como tendo componente de Formação e Desenvolvimento e que proporcionou enorme impulso na promoção e divulgação do jogo. Com o “Portugal+”, plataforma de “loyalty”, aproximámos as nossas Seleções dos nossos adeptos. Somos, hoje, uma instituição reconhecida no plano nacional e internacional no trabalho que desenvolvemos na Intervenção Social.

A Casa dos Atletas, hotel das Seleções Nacionais inaugurado em agosto de 2020, serviu de arranque para a Fase 3 da Cidade do Futebol, que está em marcha, com a construção do pavilhão das seleções nacionais de futsal e de uma nova sede do Canal 11.
Numa frase: as pessoas confiam em nós.

Está tudo feito? Claro que não. Estamos só a começar. A sério: estamos mesmo.

Os próximos anos serão extremamente desafiantes. Se é verdade que conquistas passadas não garantem sucessos futuros (muito menos no desporto de alta competição!), é justo dizer que a competência e a qualidade das nossas Seleções tem sido, nos últimos anos, um processo tão consistente e repetido que nos dá algum conforto de poder aqui afirmar que vamos continuar a dar muitas alegrias aos portugueses. Mas os desafios de que vos falo são mais globais e, é preciso dizer, duráveis.

O nosso plano estratégico para 2030, divulgado publicamente a 30 de abril passado e posto em prática dois dias depois, a 2 de maio, verte, de forma séria e sem rodeios, essas inquietações: como será o mundo em 2030? Que grandes forças mudarão o futebol? Qual a ambição do futebol português até ao final da década?

Vivemos um tempo de grande imprevisibilidade. A pandemia covid-19 mudou estratégias e prioridades em 2020, 2021 e 2022, parecendo ter lançado novos comportamentos e hábitos. O maior conflito armado em território europeu desde a II Guerra Mundial decorre há cinco meses, ameaçando alterar todo o quadro de valores e segurança que nos parecia inviolável.

A era da incerteza em que passámos a viver obriga-nos a um diagnóstico detalhado e profundo. Não controlamos as indefinições que nos são externas – mas podemos escolher o caminho mais preparado e estratégico que estiver dentro do nosso quadro de atuação.

2030 está logo ali.
Há condições a melhorar, infraestruturas a desenvolver, preconceitos a derrubar, novas receitas a explorar. Se formos capazes de fazer as escolhas certas, podemos ser ainda mais vencedores, ainda mais competentes, ainda mais inclusivos, ainda mais sustentáveis.
Para chegarmos a 2030 ao nível que desejamos precisamos de Transformar e Evoluir. Isso exige programar e executar.

Temos um horizonte estratégico para o Futebol 2030 – precisamente o ano em que ambicionamos organizar, em conjunto com Espanha, o Campeonato do Mundo de Futebol.

Temos ambições claras para essa “data mágica” de final de década: permitir que o Futebol consiga relacionar-se com todos os portugueses, criando oferta desportiva, educacional e social adequada a todas as idades; tornar o Futebol o maior veículo promocional de Portugal no Mundo, por via da sua qualidade diferenciadora; fazer do Futebol o principal promotor da igualdade e da integridade na sociedade; sermos exemplo de sustentabilidade; ser o maior formador de referência de jogadores, treinadores, árbitros e outros agentes de Futebol.

O nosso plano para a década é focado nas pessoas: pessoas de todas as idades que possam usar o futebol como prática de atividade física competitiva ou não competitiva em qualquer etapa da sua vida (pré-escolar, 1.º ciclo, 2.º e 3.º ciclo, Ensino Secundário, Universidade, entrada no mercado de trabalho, parentalidade, avós).

Faremos uma aposta especial na Educação. As crianças são a base de um caminho contínuo, que nos levará a chegar mais perto de todos.

Temos, para isso, cinco pilares estratégicos: Infância e Crescimento, Futebol para Todos e Todas, Qualidade do Jogo, Envolvimento, Sustentabilidade do Ecossistema.

O sucesso dos programas de transformação e evolução dependerá do esforço da Federação, associações distritais e regionais, sócios de classe, parceiros e patrocinadores, clubes, governo e autarquias.

Numa frase: o futebol precisa de todos.

Assumimos metas com números exigentes, mas possíveis, se soubermos trilhar o caminho certo: chegar a 400 mil federados até ao final da década, pelo menos 75 mil mulheres; atingir o meio milhão de jogadores informais de futebol e futsal registados; passar os 60% de tempo útil de jogo e os 50% da ocupação média dos estádios; ter uma audiência média em cada jogo televisionado da Liga Feminina na casa dos 115 mil espectadores. O caminho de Formação e Conhecimento deverá levar-nos a que, por 2030, todos os clubes das competições nacionais tenham pelo menos um dirigente (preferencialmente mais) com certificado de formação inicial de dirigentes FPF.

Só estaremos à altura dos desafios se os enfrentarmos juntos. Podemos ser ainda melhores!

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