População estrangeira em Portugal cresce 37%

Um país com menos população, mais envelhecimento e com maior presença de estrangeiros. É este o retrato do Portugal atual traçado pelos dados definitivos dos Censos 2021.

Área Metropolitana de Lisboa

Mais de meio milhão de pessoas estrangeiras vivem hoje em Portugal, o que corresponde a um salto de cerca de 37% face a 2011, de acordo com os dados definitivos dos Censos 2021. Esses números foram publicados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e permitem perceber que, numa década, o país viu a sua população ficar mais pequena e mais envelhecida, o que poderá ser problemático a vários níveis, têm alertado os especialistas, nomeadamente no que diz respeito ao mercado de trabalho.

“À data da realização dos Censos 2021, residiam em Portugal 542.314 pessoas de nacionalidade estrangeira, o que representava 5,2% do total da população, valor superior aos 3,7% verificados em 2011”, lê-se na nota publicada pelo gabinete de estatísticas.

Em maior detalhe, a maior comunidade estrangeira residente em Portugal é hoje a brasileira, com cerca de 199 mil indivíduos. Segue-se a angolana, com quase 31,6 mil indivíduos, e, depois, a cabo-verdiana, com 27 mil indivíduos. Há ainda por cá 24,6 mil nacionais do Reino Unido.

“Realça-se ainda o forte crescimento ocorrido em algumas comunidades estrangeiras, nomeadamente os nacionais do Nepal (de 959 indivíduos em 2011 para 13.224 em 2021) e do Bangladesh (de 853 indivíduos em 2011 para 9.150 em 2021)”, sublinha o INE.

Por outro lado, de acordo com os Censos 2021, 1,6 milhões de portugueses já moraram no estrangeiro e regressaram ao país, sendo que é no Norte, no Centro e no Madeira que se encontraram mais pessoas nessa situação.

Quanto ao quadro geral, em dez ano, o país viu a sua população cair 2,1% e acentuaram-se os desequilíbrios na distribuição da população no território.

Além disso, agravou-se o fenómeno de envelhecimento da população, “com o aumento expressivo da população idosa e a diminuição da população jovem”, realça o gabinete de estatísticas. Tal ameaça o mercado de trabalho, uma vez que escasseiam recursos humanos, e o sistema da Segurança Social, tendo a migração um papel importante para compensar essa evolução, segundo vários especialistas.

Por outro lado, os dados agora revelados permitem perceber que, entre 2011 e 2021, aumentou a representatividade da população divorciada e da população que vive em união de facto.

E o nível de escolarização da população também aumentou de forma significativa, com o reforço da população com ensino superior e com o ensino secundário e pós-secundário. Ainda esta terça-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) avisava Portugal que a formação é a chave para estimular a produtividade do país e a valorização dos salários.

Quanto à habitação, Portugal verificou um  “ligeiro crescimento” dos edifícios e alojamentos destinados à habitação e um aumento do arrendamento como regime de ocupação dos alojamentos.

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