População que vive em alojamentos com falta de espaço cresceu 1,6% em 2021

Quebrou-se, assim, a tendência decrescente do final da década passada, quando a taxa de sobrelotação da habitação se situava abaixo dos 10% (9,6% em 2018, 9,5% em 2019 e 9,0% em 2020), segundo o INE. As pessoas em risco de pobreza foram mais afetadas pelos encargos da habitação.

Em 2021, 10,6% das pessoas viviam em condições de insuficiência do espaço habitacional, um crescimento de 1,6% para o ano anterior, quebrando a tendência decrescente do final da década passada, quando a taxa de sobrelotação da habitação se situava abaixo dos 10% (9,6% em 2018, 9,5% em 2019 e 9,0% em 2020), segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do Instituto Nacional de Estatística (INE).

No ano passado, à semelhança dos anteriores, o risco de viver numa situação de insuficiência do espaço habitacional era mais significativo para a população em risco de pobreza, uma vez que 18,8% da população em risco de pobreza estava em situação de sobrelotação habitacional, comparativamente a 8,7% na restante população. Habitar num alojamento sobrelotado era igualmente uma condição que afetava particularmente as famílias residentes em áreas densamente povoadas (13,2%).

A taxa de sobrelotação da habitação foi mais elevada para os indivíduos mais jovens (17,5% para o grupo etário até aos 17 anos), diminuindo com o aumento da idade (10,9% para os adultos e 4,4% para os idosos). Em paralelo, a probabilidade de uma família viver com insuficiência do espaço habitacional desce com o aumento do nível de escolaridade completado pelo indivíduo de referência: menos 1,3 p.p. quando completou o ensino secundário ou pós-secundário, e menos 1,5 p.p. quando terminou algum grau do ensino superior, em relação a uma família em que o indivíduo de referência completou a escolaridade até ao 3.º ciclo do ensino básico.

Também viver num agregado com crianças dependentes aumenta a probabilidade de viver em sobrelotação em relação a um adulto que vive sozinho, especialmente no caso de agregados com três ou mais adultos e pelo menos uma criança dependente (mais 31,3 p.p.) e por dois adultos e três ou mais crianças dependentes (mais 16,0 p.p.).

“A probabilidade de um agregado constituído por dois adultos e duas crianças habitar em sobrelotação aumenta 5,7 p.p. em relação a um adulto sozinho, e 4,9 p.p. no caso de uma família constituída por adulto e pelo menos uma criança dependente”, acrescenta a nota.

Carga mediana das despesas em habitação cresceu 0,1%. Pessoas em risco de pobreza mais afetadas pelos encargos

“A carga mediana das despesas em habitação, ou seja, a mediana da distribuição do rácio entre as despesas anuais com a habitação e o rendimento disponível do agregado, deduzindo as transferências sociais relativas à habitação em ambos os elementos da divisão, foi 10,5% em 2021, valor ligeiramente superior ao de 2020 (10,4%), mas inferior ao registado em 2018 (11,7%) e em 2019 (11,0%)”, indica o gabinete de estatística.

Para a população em risco de pobreza, a carga mediana destas despesas foi 22,9% no ano passado (mais 2,3 p.p. do que a percentagem registada em 2020) e mais do dobro do valor registado para a população em geral.

A taxa de sobrecarga das despesas em habitação, que corresponde à proporção de pessoas que vivem em agregados familiares em que o rácio entre as despesas anuais com a habitação e o rendimento disponível (deduzidas as transferências sociais relativas à habitação), foi 5,9% em 2021, registando um acréscimo de 1,8 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior (4,1%).

“O aumento da taxa de sobrecarga das despesas em habitação foi transversal a todas as regiões NUTS II, com exceção da Região Centro”, informa o comunicado. Ademais, A taxa não apresentava diferenças expressivas conforme o grau de urbanização da área de residência dos indivíduos, sendo 6,6% nas áreas densamente povoadas, 5,8% nas medianamente povoadas e 4,5% nas pouco povoadas.

No ano em questão, 24% da população em risco de pobreza encontrava-se em sobrecarga das despesas em habitação, comparativamente a 1,8% para o resto da população.

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