Portugal prepara decisão sobre envio dos Leopard 2 nacionais para a Ucrânia

Mas a ministra promete decisão para breve, garantindo que está a avaliar a disponibilidade e os impactos de um possível envio. “Espero que possamos ter uma decisão nos próximos dias”, refere.

Helena Carreiras, Ministério da Defesa Nacional. Foto cedida

A ministra da Defesa disse esta quarta-feira esperar uma decisão sobre o envio dos Leopard 2 do Exército português “nos próximos dias”, mas assegurou que Portugal ajudará Kiev a desenvolver a sua capacidade na área dos carros de combate.

“Nenhuma dúvida: Portugal vai participar e ajudar a Ucrânia a desenvolver a sua capacidade nesta área dos carros de combate Leopard 2“, garantiu Helena Carreiras, durante uma visita à Associação dos Deficientes das Forças Armadas de Castelo Branco.

Quanto ao envio dos tanques para a Ucrânia, a titular da Defesa disse que Portugal está ainda a avaliar a disponibilidade e os impactos que a cedência dos Leopard 2 teria nas capacidades do Exército português.

Reafirmo que estamos a avaliar quer a nossa disponibilidade quer os impactos que teria também sobre as nossas capacidades, mas com toda a atenção e com a necessária prudência”, declarou. “Não devemos nesse movimento perder capacidades”, salientou.

O objetivo é simultaneamente ajudar a Ucrânia em articulação com os parceiros ocidentais, mas impedir que Portugal perca capacidade em termos da sua defesa, acrescentou.

“Estamos a fazer esse trabalho e espero que possamos ter uma decisão nos próximos dias“, precisou.

Helena Carreiras disse que Portugal recebeu “há poucos dias” um “pedido formal da Ucrânia” para o treino em matéria de carros de combate, estando neste momento também a avaliar as modalidades em que se vai concretizar.

A ministra da Defesa reiterou ainda a disponibilidade de Portugal para ajudar a Ucrânia a desenvolver essa capacidade, lembrando, aliás, que o país fê-lo desde o início com a oferta de treino na área destes carros de combate.

Numa nota emitida na passada sexta-feira, após reunião do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, que se reuniu nesse dia presencialmente em Ramstein, na Alemanha, Helena Carreiras tinha já referido “a oferta de treino nesta tipologia carros de combate” e manifestado “a disponibilidade do Governo português para identificar, de forma coordenada com os seus parceiros, formas de apoiar a Ucrânia com esta capacidade“.

No mesmo dia, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro, indicou que Portugal tem 37 tanques Leopard, mas recusou comentar quantos poderão ser enviados para Ucrânia.

“Sobre os Leopard, temos 37“, afirmou Silva Ribeiro numa conferência de imprensa conjunta no âmbito da visita a Portugal do presidente do Comité Militar da NATO, almirante Rob Bauer.

O CEMGFA foi questionado também sobre quantos desses veículos poderão vir a ser eventualmente incluídos no pacote de ajuda à Ucrânia, mas indicou não poder comentar “essa questão” e remeteu para o comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa Nacional.

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