Por que as ações do Manchester United não sofrem com as derrotas de Mourinho?

Apesar do mau início de campeonato, os títulos do clube inglês continuam a registar uma boa performance.

A estrondosa derrota do Manchester United, por 0-3, na receção ao Tottenham, em Old Trafford, marcou o pior desaire caseiro de sempre de José Mourinho em toda a carreira como treinador. Depois do jogo, disputado no dia 27 de agosto, os ânimos exaltaram-se. No arranque da conferência de imprensa, o técnico português ergueu três dedos e questionou: “Sabem o que significa? 3-0. Também são três ‘Premiership’ (título ingleses) e eu ganhei mais títulos sozinho do que os outros 19 ‘managers’ juntos. Três para mim e dois para eles.”

“Ele é produto de um tempo e de uma cultura diferente”, disse o jornalista Michael Calvin à CNN World Sport. “A sua gestão de homens sempre foi baseada no antigo sistema de comando e controlo. Com o jogador moderno e, no contexto atual do clube, isso é muito difícil de transmitir”, acrescenta.
Apesar da performance nos relvados não estar a ser positiva, os investidores têm poucas razões para se queixar. Em maio de 2016, quando Mourinho foi contratado pelo Manchester United, as ações do clube valiam 17,07 dólares na bolsa de Nova Iorque. No dia 31 de agosto de 2018 fecharam a valer 26,20 dólares. Ou seja, uma valorização de 53% em pouco mais de dois anos.

Há várias razões para este comportamento. Em primeiro lugar, o clube é um dos mais valiosos do mundo. “Depois apontamos outros fatores como o avultado investimento em contratações de jogadores (Pogba e Lukaku, por exemplo), fãs espalhados por todo o mundo, receitas dos direitos televisivos e o acordo de patrocínio com a Adidas”, explica Pedro Amorim, analista de mercados da XTB.

Se restringirmos ao início da liga inglesa, os títulos do clube fecharam nos 23,85 dólares no dia 20 de agosto, após a derrota com o Brighton (3-2). Seguiu-se a goleada com o Tottenham – e as ações voltaram a subir, cotando nos 25,70 dólares). No passado fim-de-semana, o treinador parece ter ganho um novo fôlego: derrotou o Burnley por 2-0. “As receitas do clube não dependem apenas dos resultados da equipa. Existem outros fatores que podem influenciar, como a publicidade, a bilheteira ou os patrocinios”, acrescenta outro analista que não quis ser identificado.

Desde que chegou ao Manchester United o treinador conquistou a Supertaça inglesa, a Taça da Liga e a Liga Europa. No currículo europeu de José Mourinho, falta apenas a Supertaça continental. No que respeita a troféus, e além dos quatro europeus, destaque para os oito campeonatos, dois em Portugal, três em Inglaterra, dois em Itália e um em Espanha, quando em 2011/12 bateu o FC Barcelona, de Pep Guardiola e Lionel Messi. Nos quatro países, ‘Mou’ também ganhou em todos a Taça (uma em cada) e a Supertaça (duas em Inglaterra e um nos outros três), aos quais soma quatro edições da Taça da Liga inglesa, a prova que mais vezes conquistou.

Os métodos de Mourinho

Nos treinos, anota os exercícios que mandou fazer e avalia a performance dos futebolistas. É com base nestes dados que monta, todas as semanas, a equipa principal. No entanto, antes de decidir gosta de trocar algumas opiniões com os seus adjuntos. Um observador do clube é destacado para elaborar um relatório detalhado sobre as características de cada futebolista adversário. E, duas horas antes de cada jogo, o treinador reúne-se no balneário com o plantel para dar as últimas ordens.

Mourinho está habituado a tomar decisões difíceis. Em 1990, o treinador Manuel Fernandes convidou-o para ser preparador físico do Estrela da Amadora. Uma oportunidade para entrar no futebol profissional. Mas Mourinho ficou na dúvida. Na altura, era professor de Educação Física na Escola Secundária de Alhos Vedros. Além disso, ainda recebia 50 contos por mês para treinar os juvenis e os juniores do Vitória de Setúbal. Mourinho estava desorientado e pediu a opinião da mulher, Tami. Ela foi firme: disse-lhe para aceitar o cargo na Amadora.

Mais tarde, em Junho de 2000, voltou a correr riscos. Farto de ser adjunto no Barcelona, despediu-se do clube espanhol. Mourinho foi de férias para uma pequena moradia, em Ferragudo, no Algarve. Ali, brincou com os dois filhos, José Mário e Tita, deu longos passeios pela praia e aproveitou para ler livros e ver DVD sobre futebol. Ao mesmo tempo, elaborou um dossier de treino onde escreveu tudo o que tinha aprendido até esse momento. Quando o terminou, no final do Verão, tomou uma decisão: ser o treinador principal de uma equipa portuguesa. Mourinho preferiu ficar desempregado para aprender mais e tentar promover-se.

Mais tarde, em 2004, quando o milionário Abramovich o contratou para o Chelsea, a escala de valores mudou. Interessou-lhe o prestígio mundial e o dinheiro, ao negociar um ordenado anual de 7,5 milhões de euros por ano.

Equipas que treinou
2000 (Benfica)
2001–2002 (União de Leiria)
2002–2004 (Porto)
2004–2007 (Chelsea)
2008–2010 (Inter de Milão)
2010–2013 (Real Madrid)
2013–2015 (Chelsea)
2016 (Manchester United)

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