Porto recupera um cinema icónico com a reabertura do Batalha a 9 de dezembro

O novo grande ecrã do Porto é um velho e saudoso conhecido, o Cinema Batalha, que, a partir de dia 9 de dezembro, passará a chamar-se Batalha Centro de Cinema. O centro da cidade fica a ganhar, bem como todos os amantes da Sétima Arte.

Foram precisos três anos de obras profundas para trazer de volta o Batalha em todo o seu esplendor, após 22 anos de portas fechadas. Amputado da sua função e devoluto, o edifício projetado pelo arquiteto Artur Andrade em plena Segunda Guerra Mundial, e inaugurado em 1947 na Praça da Batalha, no Porto, renasce dia 9 de dezembro e volta a colocar no mapa da 7ª Arte este belo edifício modernista, classificado como Monumento de Interesse Público, e que é também um ícone da Invicta.

O projeto do agora Batalha Centro de Cinema ficou a cargo dos arquitetos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, do Atelier 15. As obras arrancaram a 18 de novembro de 2019 e duraram três anos, tendo ultrapassado os cinco milhões de euros, face ao valor inicialmente orçamentado, de 3,9 milhões. A “derrapagem” financeira da empreitada ficou a dever-se, em grande medida, aos custos de aumento dos materiais, na sequência da pandemia, assim como ao trabalho de restauro dos frescos de Júlio Pomar, pintados em 1940 e tapados pela PIDE durante o Estado Novo.

A centralidade urbana e cultural do Batalha foi um dos motivos que levou a Câmara Municipal do Porto a arrendar o espaço por um período de 25 anos, que pode vir a ser prolongado, junto da família Neves Real, sua proprietária. Na sua nova vida, o Batalha assume-me como o Batalha Centro de Cinema, cuja programação estará a cargo do seu diretor artístico, Guilherme Blanc.

Uma programação eclética, entre o clássico e o contemporâneo

Estão previstas dez retrospetivas de realizadores entre dezembro e julho de 2023. A francesa Claire Denis inaugura o calendário com 17 longas-metragens, que serão exibidas em dezembro e janeiro. Seguem-se os ciclos dedicados a Agnieszka Polska (dezembro), Melvin Van Peebles (fevereiro), ao português André Gil Mata (fevereiro), Zacharias Kunuk (março), Riar Rizaldi (abril), Luísa Homem (abril e maio), Joanna Hogg (abril), Lorenza Mazzetti (maio), Fátima Al Qadiri (maio), e, entre outros, Basil da Cunha (junho).

O ciclo temático inaugural intitula-se “Políticas do Sci-Fi” e pretende abrir o debate ao “modo como o género ficção científica vem absorvendo a discussão de questões que marcaram debates políticos e culturais do século XX e do nosso tempo”. A este seguir-se-ão três ciclos bimensais, até julho, focados em questões sociais, culturais e políticas: “Domesticidade(s)”, em março, “El Futuro Ya No Está Aqui”, em maio, e “Contra-Fluxos”, em julho.

Quinzenalmente, aos domingos de manhã, estarão de volta as Matinés do Cineclube do Porto com a exibição de alguns dos filmes marcantes do mais antigo cineclube português no ativo. E mensalmente, o programa “Luas Novas” vai destacar os novos nomes do cinema português, entre os quais Alexandra Ramires, Laura Gonçalves, David Pinheiro Vicente e Tomás Paula Marques.

Aos ciclos e matinés soma-se ainda a exibição de filmes relacionados com efemérides, caso de “Os Amigos do Gaspar: Uma Reunião na Cidade”, a partir dos temas do álbum de Sérgio Godinho “Canta com Os Amigos do Gaspar” (1988), cuja estreia está prevista para daqui a um ano, em dezembro de 2023. Além da organização de cursos de crítica de cinema e workshops, oficinas de realização e visitas guiadas.

A nova vida e programação do Batalha Centro de Cinema pode ser consultada aqui.

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