Porto sentido

A cidade das encostas em granito cinzento que espreitam um Douro espelhado de luz morna e dourada é hoje um dos destinos mais falados e procurados da Europa


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O Porto está na moda. A cidade das encostas em granito cinzento que espreitam um Douro espelhado de luz morna e dourada é hoje um dos destinos mais falados e procurados da Europa. O bom vinho e gastronomia, a arquitetura, o charme e as suas gentes, acolhem visitantes de todas as nacionalidades nesta cidade inebriante e cosmopolita.

A verdade é que a cidade acordou, empurrada pelas companhias low-cost e pela reabilitação urbana, devolvendo, esta última, a alma e a identidade aos lugares e às pessoas que neles vivem. O casario antigo degradado dá agora lugar a charmosos e requintados hotéis, bares e restaurantes, conferindo vida a todas as ruas. Os cheiros, os sons e os sabores convidam a vibrantes e sofisticadas experiências.

Atravessei recentemente a Rua das Flores, numa hora de almoço solarenga e amena, apesar do outono e da chuva que deixara em Lisboa. Esta antiga rua de palacetes nobres e burgueses, outrora de comerciantes de ouro e de panos, tem hoje “chocolaterias”, livrarias, salas de chá, mercearias e tabernas gourmet, lugares de encanto e movida, dizendo a quem passa que a febre comercial volta a passar por ali.
Enquanto descia a rua desde São Bento até ao Largo de São Domingos, ouvi música doce que saía pelas janelas de sacada, pousadas em varandas de granito e ferro forjado. Um homem estátua maquilhava-se com uma tinta pastosa cor de verdete, sentado numa soleira maciça de um prédio ainda em reabilitação. No meio da estrada pedonal, um jovem fazia bolas gigantes de sabão em troca de uma moeda, enquanto as pessoas subiam e desciam, por entre edifícios notáveis e fachadas arranjadas, cheias de estilo.

Depois de um belo almoço no restaurante “A Cantina”, e em ótima companhia, regressei de alfa-pendular a Lisboa. Sonolento, olhei a paisagem que corria veloz na minha frente e pensei no dia em que visitei o Porto pela primeira vez, teria talvez treze ou catorze anos.
Ver-te assim abandonado
Nesse timbre pardacento
Nesse teu jeito fechado
De quem mói um sentimento
Quase trinta anos depois, o desesperançado “Porto sentido”- encardido e cinzento, na voz de Rui Veloso e letra de Carlos Tê, talvez já não exista…

Nelson Paciência
Consultor Sénior de Building Consultancy da CBRE

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