Seguros de crédito: Portugal à beira do pódio mundial

A evolução do comércio internacional tem levado as empresas, em Portugal, e em todo o mundo, a recorrer, cada vez mais, a soluções de gestão e mitigação do risco de créditos, por causa do risco de incumprimento.

Bobby Yip/Reuters

Segundo a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), as mais recentes estimativas apontam para que, a nível mundial, Portugal seja hoje o 4.º país com maior penetração do produto de seguro de créditos na economia, medido quer pela relação dos prémios em relação ao Produto Interno Bruno (0.035%) quer pela evolução das vendas cobertas pelas seguradoras em relação ao PIB (14.55%). Ou seja, o setor, no todo, garantiu, em 2016, vendas equivalentes a cerca de 15% do PIB nacional e perto de 20% das exportações nacionais.

Estes indicadores “muito positivos”, realça a associação, revelam que o setor tem dado um apoio “decisivo e crescente” à missão de exportação, com destaque para as PME que enfrentam maiores dificuldades no acesso a esses mercados. Adicionalmente, salienta o contributo do setor para um conjunto alargado de empresas nacionais (mais de 250 mil em 2016), que beneficiam, indiretamente, do produto, designadamente, através da concessão de garantias aos segurados com apólices de seguro de créditos que exportam para riscos em Portugal, em muitos casos com importância decisiva na viabilização dos negócios.

Neste âmbito recorda ainda que, a nível mundial, as responsabilidades assumidas pelos membros da União de Berna, da qual as seguradoras a atuarem em Portugal fazem parte e que conta, atualmente, com 89 empresas, ascenderam a 1,6 mil milhões de euros, dos quais cerca de 1,3 mil milhões estão associados ao seguro de créditos à exportação de curto prazo, o que equivale a mais de 11% das transações comerciais mundiais em 2016. Face a esta evolução “muito positiva” da procura por parte das empresas, também no mercado nacional se verifica um crescimento da exposição nos mercados externos, por parte das seguradoras a aturem no nosso mercado, e consequentemente do valor dos prémios associados a essas coberturas. Ao nível da atividade por conta do Estado, assegurada pela COSEC, regista-se igualmente uma evolução positiva, com destaque para a Linha de Seguros de Créditos à Exportação de curto-prazo, através da qual, no ano passado, foram apoiadas 735 empresas, das quais 91% são PME, num total de cerca de 1.3 mil milhões de euros seguros, que potenciaram vendas de 4.6 mil milhões de euros para mais de 100 mercados.

Como principais características deste tipo de seguro em termos de obrigações, de riscos e de exclusões, a APS aponta o papel “fundamental” de garantir o pagamento de indemnização em caso de incumprimento, dando acesso a informações sobre as empresas suas clientes, capacidade de recuperação dos créditos, bem como o reforço da capacidade negocial destas empresas ao nível do financiamento bancário da sua atividade.

Ao nível das soluções com garantia do Estado, destinam-se às empresas exportadoras de bens ou serviços com incorporação nacional e tem como objetivo cobrir diretamente o incumprimento do importador público ou privado, em operações de exportação de bens ou serviços, causado por factos de natureza política, monetária e catastrófica, podendo incluir também o risco comercial. É um seguro que cobre riscos políticos (incumprimento do cliente público), comerciais (incumprimento do cliente privado), económicos (suspensão ou dificuldades de transferência) e catastróficos (furacões e ciclones).

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