Portugal à frente, não atrás

Há três anos Pedro Passos Coelho foi criticado por ter afirmado “que se lixem as eleições”. A larga maioria dos portugueses, estou convicto, tem hoje a noção bem clara do que esta frase significava e até que ponto acabou por caracterizar um mandato que dentro de poucos dias será julgado nas urnas. Com aquela expressão, […]


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Há três anos Pedro Passos Coelho foi criticado por ter afirmado “que se lixem as eleições”. A larga maioria dos portugueses, estou convicto, tem hoje a noção bem clara do que esta frase significava e até que ponto acabou por caracterizar um mandato que dentro de poucos dias será julgado nas urnas.

Com aquela expressão, proferida em português corrente, o primeiro-ministro quis garantir-nos que é fundamental pôr o interesse do País muito à frente de conveniências políticas ou estratégias eleitorais. Passos pôde dizê-lo com convicção porque assumiu a chefia do Governo no pior momento dos últimos 40 anos, quando Portugal, confrontado com um cenário de colapso iminente das finanças públicas, acabava de ser alvo de uma intervenção externa de emergência acompanhada de um rigoroso plano de contenção orçamental.

Mal chegou ao poder, em Junho de 2011, a coligação PSD/CDS deparou com um conjunto de despesas inesperadas, forçando o Executivo a tomar medidas acrescidas de austeridade: daqui nasceu a expressão “ir além da troika”, que tantas vezes tem sido citada fora do contexto. O PS de José Sócrates, ao longo de seis anos de contínuo esbanjamento financeiro, fora acumulando dívida oculta em parcerias público-privadas (avaliada em 31 mil milhões de euros) que passou a integrar o perímetro orçamental, tal como viria a suceder às dívidas das empresas públicas de transportes e aos juros dos empréstimos entretanto contraídos no âmbito do programa de assistência.

As lágrimas de crocodilo que António Costa – ex-número dois de Sócrates – agora chora nos palcos dos comícios pelo “aumento da dívida pública” constituem uma confrangedora manifestação de cinismo político que os portugueses não podem deixar de censurar. Ao contrário do que o secretário-geral do PS supõe, os eleitores têm boa memória: sabem muito bem quem conduziu o País à beira do precipício e quem tudo fez para nos tirar de lá.

Este Portugal de Passos Coelho já nada tem a ver com o Portugal de Sócrates. Após 12 avaliações positivas das instituições internacionais, saímos do programa de assistência no prazo previsto. Sem “espiral recessiva”, sem “programa cautelar”, sem “segundo resgate”, contrariando todas as previsões dos profetas da desgraça. Recuperámos a confiança dos mercados financeiros, há hoje menos desemprego do que havia no final da última legislatura e o País cresce a um ritmo que supera a média da zona euro.
E é assim, com Portugal à frente, que queremos continuar. Nada de remar para trás.
Mauro Xavier
Gestor

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