Portugal digital

Portugal é já claramente um país da linha da frente em matéria de infra-estruturas de última geração –  ligação das escolas e de grande parte de instituições públicas em banda larga, forte modernização da administração pública central e local e uma boa rede de espaços públicos de acesso universal à internet, com grande impacto em […]

Portugal é já claramente um país da linha da frente em matéria de infra-estruturas de última geração –  ligação das escolas e de grande parte de instituições públicas em banda larga, forte modernização da administração pública central e local e uma boa rede de espaços públicos de acesso universal à internet, com grande impacto em zonas mais isoladas e segmentos sociais mais desfavorecidos. Falta contudo um novo sentido estratégico para reforçar a sociedade do conhecimento no nosso país – impõe-se por isso saber construir um novo Portugal digital.
A reconstrução de um Portugal digital tem que ser um projeto global da sociedade, assente numa verdadeira parceria estratégica alargada entre o Estado e os atores económicos e sociais. Esta parceria estratégica tem que ser dinamizada de forma permanente e deve ser a base para se poder dar resposta às seguintes questões:
– Qual o caminho a dar às TIC enquanto instrumentos centrais duma política ativa de intervenção pública como matriz transversal da renovação da nossa sociedade?
– Qual a forma possível de fazer das empresas (e em particular das PME) os atores relevantes na criação e valor e garantia de padrões de qualidade e vida social adequados, num cenário de crescente “deslocalização” económica?
– Qual o papel efetivo da educação como quadro referencial essencial da adequação dos actores sociais aos novos desafios da sociedade do conhecimento? Os atores do conhecimento de que tanto se precisa são “educados” ou “formados”?
– Qual o papel do I&D enquanto área capaz de fazer o compromisso necessário entre a urgência da ciência e a inevitabilidade da sua mais do que necessária  aplicabilidade prática para efeitos de indução duma cultura estruturada de inovação?
– Qual o sentido efetivo das políticas de empregabilidade e inclusão social enquanto instrumentos de promoção dum objetivo global de coesão social? O que fazer de todos os que pelo desemprego se sentem cada vez mais marginalizados pelo sistema?
A consolidação de um novo Portugal digital entre nós passa em grande medida pela efetiva responsabilidade nesse processo dos diferentes atores envolvidos – Estado, universidade e empresas. No caso do Estado, no quadro do processo de reorganização em curso e de construção dum novo paradigma tendo como centro o cidadão-cliente, urge a operacionalização de uma atitude de mobilização ativa e empreendedora da revolução do tecido social. A reinvenção estratégica do Estado terá que assentar numa base de confiança e cumplicidade estratégica entre os “atores empreendedores” que atuam do lado da oferta e os cidadãos que respondem pela procura.
A experiência de implementação dos projetos executados nos últimos anos, envolvendo as mais variadas naturezas de Entidades (administração pública central, local, universidades, centros I&D, outras entidades) constitui um laboratório único a desenvolver no futuro. Portugal não pode fugir ao desafio de se tornar verdadeiramente uma sociedade em rede e para tal o envolvimento público nos próximos anos é uma peça fundamental. Um novo Portugal digital é um ponto central para uma nova agenda de competitividade, capaz de reforçar a cadeia de valor empresarial e de estabilizar a coesão social e territorial no país, duma forma sustentada e estrutural.

Francisco Jaime Quesado
Presidente da ESPAP – Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública

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