Portugal é o oitavo país do mundo mais atrativo para investir em renováveis

Ranking destaca que, enquanto outros países procuravam fontes alternativas de combustíveis fósseis devido à guerra na Ucrânia, Portugal decidiu apostar mais nas energias renováveis e no hidrogénio.

Portugal é o oitavo país do mundo mais atrativo para investimento em energias renováveis, segundo o ranking normalizado hoje divulgado pela EY – Renewable Energy Country Attractiveness Index.

“Portugal pode estar geograficamente na margem da Europa, mas é central para mostrar o valor do compromisso do Governo com as renováveis. O Governo acredita fortemente que uma aceleração significativa na transição dos combustíveis fósseis para as fontes de energia renovável esta década é a melhor forma de alcançar preços estáveis e baixos de eletricidade e, consequentemente, uma indústria mais competitiva”, pode-se ler no documento.

“Com um alto nível de produção e consumo de eletricidade a partir de fontes de energia renovável, Portugal ambiciona reduzir a sua dependência das importações de combustíveis fósseis. Enquanto as energias hídricas e eólicas têm sido o foco na última década, 2019 marcou o arranque da solar fotovoltaica em Portugal. Após vários anos de subinvestimento nesta tecnologia, os leilões solares de 2019, 2020 e 2021, que alocaram cerca de 2,3 gigawatts de nova capacidade de energia solar, mudaram completamente o paradigma no mercado”, acrescenta.

A EY aponta que os leilões foram um “grande sucesso, com Portugal a estabelecer recordes mundiais para as tarifas solares mais baixas”, sublinhando que oito dos 12 lotes incluíam a tecnologia de armazenamento.

“Isto significa que Portugal foi um dos primeiros mercados a desenvolver projetos híbridos em larga escala com a geração de energias renováveis mais armazenamento”. A acrescentar a isto, está o leilão de solar flutuante com 236 megawatts atribuídos em sete albufeiras.

Este estudo avalia: a necessidade de um país em termos de energias renováveis?; se existem políticas para apoiar as renováveis?; existem infraestruturas para acomodar estes projetos?; existe disponibilidade financeira no mercado para investimentos em renováveis neste país?; como tem sido o investimento nesta área neste país?; o país tem estabilidade macroeconómica e política para aceitar investimentos?

A análise sublinha que o país está atualmente no caminho certo para atingir a meta de 80% de energias renováveis na produção de eletricidade até 2030, citando o regulador ERSE. O país conta com um pipeline de projetos renováveis de 12 gigawatts.

O relatório também destaca que o país planeia investir no hidrogénio verde. “A guerra na Ucrânia levou vários mercados a olharem para aumentar o aumento do consumo de energia de fontes alternativas de combustíveis fósseis. Portugal optou por simplificar procedimentos e reduzir prazos de licenciamento para as energias renováveis e hidrogénio, e continuar a descarbonizar a sua economia e a reduzir a dependência da energia externa mais rapidamente”, conclui.

O ranking normalizado é liderado por Marrocos, que em 2020 atingiu uma meta de 40% de energias renováveis na produção no país, tendo a meta de atingir 52% até 2030. A energia solar é atualmente a maior fonte renovável no país, mas a energia eólica deverá ultrapassar a solar na próxima década, com novos projetos a entrarem em operação.

Destaque também para ao Chile que ocupa a quinta posição no ranking normalizado. “Outro país muito dependente das importações de combustíveis fósseis, mas abençoado com enorme potencial para a produção renovável de eletricidade. O deserto de Atacama no norte é um dos melhores recursos solares no mundo, com um potencial teórico de 1.800 gigawatts, enquanto a costa e as montanhas no sul têm excecionais recursos eólicos”.

A EY compila dois rankings: o RECAI e o normalizado. Conforme explica a consultora, no primeiro (que avalia a atratividade nas renováveis) os maiores países tendem a ficar nos lugares de topo devido à escala dos investimentos. No segundo, a EY tem em conta o PIB menor dos países mais pequenos face aos maiores, o que permite destacar “muitos mercados pequenos onde a energia renovável está a crescer rapidamente e onde está a tornar-se altamente atrativa”: “retirar o peso económico de um mercado destaca aqueles que são eficientes em termos do seu tamanho e os mais atrativos para os investidores”.

No ranking RECAI, Portugal recua para a 25ª, duas posições abaixo do obtido no último ranking, com uma pontuação de 59 pontos em 100, e com a energia solar a obter a obter a maior pontuação (48 pontos) seguida da eólica (44 pontos).

No RECAI, o ranking é dominado pelos Estados Unidos, RP China, Alemanha, Reino Unido, França, Austrália, Índia, Espanha, Japão e Países Baixos.

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