Portugal emite 1.250 milhões dos quais 780 milhões a 10 anos com taxa de 2,75%

Os juros para conseguir colocar Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos foram hoje de 2,754%. Já os juros para as OT a quatro anos foram de 1,777%. Recorde-se que em 2020 o IGCP emitiu a este prazo com juros negativos.

O IGCP –  Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, agora liderado por Miguel Martín, foi hoje ao mercado de dívida pública emitir 1.250 milhões de euros no total, sendo que, destes, 780 milhões de euros foram emitidos com o prazo de 10 anos (o prazo que é benchmark da dívida) e pagou um juro de 2,754%, muito superior à última emissão no mesmo prazo.

Recorde-se que o IGCP anunciou que ia realizar hoje dois leilões das linhas de OT (Obrigações do Tesouro) com maturidade em julho de 2026 (OT 2,875% 21jul2026) e em julho de 2032 (OT 1,65% 16jul2032), com um montante indicativo global entre mil milhões e 1.250 milhões de euros.

Na emissão a quatro anos, Portugal conseguiu colocar os títulos a uma taxa de 1,777% e emitiu 470 milhões de euros. Na última emissão a este prazo (em julho de 2020) a República emitiu a juros negativos de -0,108%.

O diretor de investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, refere que “Portugal veio ao mercado com duas emissões de dívida de longo prazo, colocou em obrigações do tesouro a 4 anos 470 milhões de euros e a 10 anos 780 milhões de euros. Assistimos a uma subida das yields em ambas as maturidades. Nos 4 anos a taxa foi de 1,77% e nos 10 anos a taxa foi de 2,754%, sendo que a procura manteve-se dentro dos valores médios que estas emissões costumam ter”.

“A inflação tem continuado a surpreender em alta, o que fez com que os bancos centrais iniciassem um movimento de subida de taxas mais agressivo. Este efeito tem levado a um rápido ajuste nas yields de todas as maturidades das dívidas soberanas. A título comparativo, Portugal em maio tinha emitido dívida a 8 anos com uma yield de 1,767% e hoje para um prazo inferior, 4 anos a yield foi de 1,777% e superior”, acrescenta.

“Sabemos que os banco centrais vão estar a tomar decisões reunião a reunião e com base nos dados que forem sendo divulgados. É certo que iremos continuar a ter volatilidade, pelo menos até à rubrica da inflação estabilizar. Para os emitentes e neste caso Portugal, iremos ter custos de refinanciamento mais elevados, conclui Filipe Silva.

 

[Notícia atualizada às 16h00 com comentário do diretor de investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva]

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