Portugal entre os países onde famílias com pouco tempo trabalhado têm menor risco de pobreza

Portugal tem das menores taxas de risco de pobreza das famílias com intensidade laboral muito baixa, entre os vários países da UE. Já quanto aos agregados com intensidade média ou muito alta, o país tende a estar entre os que registaram maiores taxas, mostram os dados do INE.

O risco de pobreza das famílias com intensidade laboral muito baixa – isto é, cujos adultos trabalham menos de 20% do tempo de trabalho possível – fixou-se em 64% em 2020 na União Europeia, estando em causa um recuo de 1,7 pontos percentuais (p.p.) face ao ano anterior, indica a nota divulgada esta quinta-feira pelo Eurostat. Entre os Estados-membros, há diferenças significativas, com a Dinamarca a registar um risco de pobreza de 48,7% e a Lituânia uma taxa de 85,4%. Por cá, o risco de pobreza destas famílias situou-se em 58,6%, sendo Portugal um dos países onde essa taxa é menos significativa.

A intensidade laboral é o rácio entre o número de meses trabalhados pelos membros adultos de um determinado agregado familiar (entre 18 e 59 anos) no ano de referência e o total de meses que poderiam teoricamente ter trabalhado.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, considera-se que a intensidade laboral é muito reduzida quando a média do tempo trabalhado é igual ou inferior a 20% do tempo de trabalho possível. Por outro lado, diz o Eurostat, estamos perante uma intensidade laboral muito alta quando o tempo trabalhado excede a fasquia de 85% do tempo de trabalho potencial.

Assim, na nota divulgada esta quinta-feira, o gabinete de estatísticas da União Europeia começa por sublinhar: “A intensidade laboral reflete quanto trabalharam os membros em idade ativa do agregado familiar face ao seu potencial. De modo geral, quanto mais elevada a intensidade laboral, mais baixa a probabilidade de a família estar em risco de pobreza”.

Ora, os dados relativos a 2020, que foram divulgados esta manhã, tendem a confirmar isso mesmo, já que mostram que, na União Europeia, o risco de pobreza das pessoas com menos de 65 anos, que se encaixam em famílias com muito baixa intensidade laboral, está fixado em 64%.

Em contraste, entre as pessoas de famílias com intensidade laboral muito elevada, a taxa situou-se em 5,3%, e nos agregados com intensidade laboral média em 23,6%. “Os dados de 2020 para a União Europeia mostram que o emprego ajudou a evitar que as pessoas caiam na pobreza”, observa o Eurostat. E insiste: “Na globalidade dos Estados-membros da União Europeia, foi observado um padrão semelhante: o risco de pobreza diminuiu à medida que a intensidade laboral aumenta”.

Entre os países europeus, foram a Dinamarca (48,7%) e a Irlanda (49,9%) que registaram as taxas mais baixas. Já os picos foram verificados na Lituânia (85,4%), na Roménia (84,2%) e na Letónia (80,6%).

Por cá, a taxa de risco de pobreza para as pessoas com menos de 65 anos de famílias com baixa intensidade laboral fixou-se em 58,6%, menos 3,8 p.p. do que em 2019. Tal significa que Portugal foi o sexto país com menor risco de pobreza, no que diz respeito particularmente a estes agregados.

Por outro lado, entre as famílias com intensidade laboral média, Portugal está entre os países com maior taxa de risco de pobreza (34,6%), sendo apenas ultrapassado pela Roménia (40,9%). Isto depois de se um agravamento de 0,7 p.p. da taxa verificada por cá.

E entre os agregados com muito alta intensidade laboral, por cá, o risco está fixado em 6,3%, acima da média comunitária e o oitavo mais elevado da UE. Ainda assim, face a 2019, verificou-se um desagravamento de 1,2 pontos percentuais.

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