Portugal foi o quinto país da UE mais dependente de importações de gás natural em 2021 (com áudio)

Com uma dependência a 100% da importação de gás natural, Portugal surge em quinto lugar na tabela dos países do bloco europeu com maior dependência, atrás de Malta, Suécia, Lituânia e Espanha.

Reuters

Em 2021, a importação de gás natural para a Europa sofreu uma quebra de um ponto percentual, mantendo-se, ainda assim, a níveis altos. De acordo com os dados divulgados pelo gabinete de estatísticas, Eurostat, naquele ano o bloco europeu importou 83% do gás enquanto que em 2020, essa percentagem foi de 84%.

Esta pequena diminuição da dependência das importações foi significativamente influenciada pelo facto de a maioria dos Estados-Membros da União Europeia (UE) ter utilizado reservas de gás natural importadas em anos anteriores. Na verdade, segundo o gabinete, “a quebra de stock de gás natural em 2021 foi a maior desde o início da série histórica (2008)”.

Malta e a Suécia continuam a ser os países com a maior dependência de gás natural importado, traduzindo-se em cerca de 104% e 102%, respectivamente, seguindo-se a Lituânia em terceiro com 101%. Em sentido contrário, surge a Roménia (24%), Dinamarca (26%) e os Países Baixos com 33%.

Quanto a Portugal, o país foi, em 2021, o quinto da UE mais dependente das importações de gás natural, em cerca de 100%, uma vez que não existe produção doméstica. De acordo com o Eurostat, o recurso representava um quarto do cabaz energético do país nesse ano.

Numa altura de fortes tensões geopolíticas causadas pela invasão russa da Ucrânia e por Moscovo ser um dos principais fornecedores de energia da UE, o Eurostat admite que “o impacto de uma potencial perturbação das importações deve ter em conta a importância do gás natural no cabaz energético global”.

Assim, a quota do gás natural no cabaz energético da Suécia, Finlândia e Estónia é relativamente baixa (3%, 7% e 8% respetivamente), enquanto a maior percentagem de gás natural no cabaz energético encontra-se em Itália (40%).

Quando comparado com 2020, os maiores aumentos entre os países na taxa de dependência das importações de gás natural foram registados em Malta (de 96% em 2020 para 104% em 2021), Irlanda (de 64% para 71) e Roménia (de 17% para 24).

No outro extremo, as maiores descidas registaram-se na Letónia (de 121% para 61%), Áustria (de 73% para 51) e Eslováquia (de 88% para 69).

Os dados divulgados surgem numa altura de confronto armado na Ucrânia provocado pela invasão russa, tensões geopolíticas essas que têm vindo a afetar o mercado energético europeu, já que a UE importa 90% do gás que consome, sendo a Rússia responsável por cerca de 45% dessas importações, em níveis variáveis entre os Estados-membros.

A Rússia é também responsável por cerca de 25% das importações de petróleo e 45% das importações de carvão da UE.

Em média, na UE, os combustíveis fósseis (como gás e petróleo) têm um peso de 35%, contra 39% das energias renováveis, mas isso não acontece em todos os Estados-membros, dadas as diferenças entre o cabaz energético de cada um dos 27 Estados-membros, com alguns mais dependentes do que outros.

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