Portugal. Nova dívida com a taxa média mais baixa de sempre

A nova dívida emitida pelo Estado em 2018 teve o custo mais baixo de sempre. Em contraste, a dívida direta do Estado não para de subir.

José Manuel Ribeiro/Reuters

O custo da nova dívida pública situou-se nos 1,8% em termos médios até novembro, de acordo com o Boletim Mensal sobre Dívida Pública publicado pelo IGCP – Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública. Portugal consegue financiamentos mais baixos e prazos mais longos. Não é revelado o custo global do stock de dívida pública, o que poderá acontecer com o boletim de janeiro, mas ficará claramente abaixo dos 3%. Os dados de 2017 revelam um custo global do stock de dívida nos 3% e da dívida específica do ano nos 2,6%. Em termos homólogos, 2018 registou uma redução da ordem dos 40% no custo final da dívida em face do exercício de 2017.

A nível de composição do volume global da dívida direta do Estado o mês de novembro registou um valor de 247 mil milhões de euros, o que compara com os 238 mil milhões de euros de dezembro de 2017. Por seu lado os investidores não residentes aumentaram ligeiramente o peso na dívida direta do Estado, passando de 34% para 35%, enquanto os residentes em Portugal mantiveram o nível dos 38%. Filipe Silva, do Banco Carregosa explica esta evolução com o facto de apenas ter havido uma emissão de OTRV no corrente ano, contra três emissões nos exercícios de 2016 e 2017.

Relativamente aos empréstimos PAEF (Programa de Assistência Económica e Financeira), ou seja, emissões geradas durante o período da Troika, regista-se uma dívida de 56,3 mil milhões de euros até outubro, o último mês de resultados disponibilizados pela gestora da dívida pública. No entanto, o valor de 4,7 mil milhões de euros do FMI a pagar nos próximos 3,6 anos, com uma taxa de 4,4%, serão liquidados durante dezembro, de acordo com indicações das Finanças.

Nos financiamentos do período da Troika estão registados 24,1 mil milhões de euros de dívida no âmbito do EFSM (Mecanismo Europeu de Estabilização Financeiro) a uma taxa de 2,62% e um valor de 26 mil milhões de euros no âmbito do programa EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) com uma taxa de 1,8%. Estes dois empréstimos terão de ser liquidados nos próximos 12,5 anos e 14,3 anos, respetivamente.

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