Portugal quer sair do grupo de países mais endividados da UE em 2024

Secretário de Estado do Tesouro assume ambição e revela que país vai pagar este ano a dívida extra que contraiu durante a pandemia.

Cristina Bernardo

O Governo português espera que o país possa sair em 2024 do grupo de países mais endividados da União Europeia (UE).

“Poderemos em 2024 sair do grupo dos países mais endividados da UE. Seria uma mudança estrutural da perceção dos mercados”, disse hoje o secretário de Estado do Tesouro.

João Nuno Mendes espera que o país recue na dívida contraída durante os anos da pandemia, com uma descida de 16 pontos percentuais da dívida sobre o PIB.

A discursar na abertura da conferência anual da CMVM, o governante destacou que as taxas de juro da dívida portuguesa estão abaixo da dívida espanhola e da italiana. “Isto é algo que demonstra o reconhecimento que os mercados fazem do trajeto das contas públicas”.

Itália regista uma taxa de juro de 4,2% na dívida a 10 anos esta terça-feira, enquanto Espanha tem 2,965% e Portugal atinge os 2,845%. “Isto deve-se ao trabalho coletivo que o país fez” que permite uma “maior resistência de aguentar subidas das taxas de juro”. Até ao final do ano, a dívida italiana deverá continuar acima da portuguesa, mas a espanhola deverá ficar “3/4 pontos” acima da lusa.

Depois das subidas de ratings da Standard&Poor’s e DBRS, desde “2011 que o Estado português não tinha um rating tão alto. O efeito do rating é imediatamente apreendido pela República Portuguesa e empresas maiores”. Para o secretário, isto demonstra a “resiliência e trajetória das contas públicas”.

João Nuno Mendes destacou que o país não vai precisar de acionar a cláusula de escape europeia que permite a suspensão das regras orçamentais. “Portugal não precisará. Isto dá-nos a responsabilidade de prosseguirmos de forma imensurável este caminho”.

Sobre a economia nacional, destacou que o país está com um “nível de atividade económica superior à pré-pandemia, superior à registada na Alemanha e França”. O país tem reduzido também os seus custos de financiamento desde agosto, destacou, e que o país tem registado “taxas de desemprego baixas, abaixo de 6%”.

 

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