Portugal recomprou 763 milhões de dívida que vencia em 2023 e 2024

O IGCP colocou 531 milhões de euros em títulos com maturidade em outubro de 2028 e 232 milhões de euros que vencem em outubro de 2035 em troca das obrigações do tesouro que recomprou e que venciam em 2023 e 2024. Os juros das novas emissões são mais baixos.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública  (IGCP) recomprou esta quarta-feira 763 milhões de euros de duas emissões de dívida pública que venciam em outubro de 2023 e em fevereiro de 2024.

Em troca o IGCP ofereceu nova dívida a seis e 13 anos. As novas emissões no mesmo vencem, respetivamente, em 2028 e 2035.

Em troca da recompra destes títulos a instituição liderada por Cristina Casalinho colocou uma emissão a seis anos “PTOTEVOE0018– OT 2,125% 17out2028”, emitida com juro de 2,125% e maturidade em outubro de 2028 e uma emissão de OT a 13 anos, que vence em outubro de 2035, e com um juro de 0,9% (PTOTENOE0034– OT 0,9% 12out2035).

Com este leilão de troca, o IGCP alonga maturidades e baixa o custo da dívida a longo prazo.

A agência conseguiu recomprar 538 milhões de euros da emissão que vencia em outubro de 2023 e 225 milhões de euros da linha de obrigações do tesouro com maturidade em fevereiro de 2024.

“Relativamente à OT com maturidade em 2023, foram comprados 538 milhões de euros [que foram emitidas a 4,95%] a 105,488% correspondendo a uma yield de 0,68%. Na OT com maturidade em 2024, foram comprados 225 milhões de euros, ao preço de 107,625%, correspondendo a uma yield de 0,85%”, refere o Banco Carregosa.

Já “relativamente às operações de venda, na OT com maturidade em 2028, foram vendidos 531 milhões de euros, ao preço de  102,88% e com uma yield de 1,64%. Na OT com maturidade 2035, foram vendidos 232 milhões de euros, ao preço de 82,17% e com uma yield de 2,49%”, avança o banco.

Isto é, em troca, o IGCP colocou 531 milhões de euros em títulos com maturidade em outubro de 2028 e 232 milhões de euros que vencem em outubro de 2035.

“ O IGCP realizou hoje uma operação de troca de dívida, que consistiu na compra duas Obrigações do Tesouro (OT), com maturidades em 2023 e 2024 e venda de duas OT, com maturidades 2028 e 2035″, refere Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa.

“Através desta operação foi possível retirar pressão nas amortizações de mais curto prazo, passando essa responsabilidade para o longo prazo”, defende  Filipe Silva.

“O custo a que estas operações foram realizadas, está abaixo da média histórica de Portugal, no entanto já se assistiu a uma subida considerável do prémio de risco de Portugal. Apesar de tudo assistimos a uma subida dos prémios de risco, pagamos agora mais para emitir dívida. Tal acontece fruto da atual conjuntura económica e elevada taxa de inflação”, refere o responsável do Banco Carregos.

“O BCE tal como tem acontecido com outros bancos centrais deverá iniciar o ciclo de subida de taxas este mês e o mercado já tem vindo a antecipar este movimento, o que levou a uma subida dos prémios de risco de todas as dívidas soberanas e não soberanas”, refere.

Filipe Silva conclui dizendo que “na perspetiva do investidor, este consegue trocar o investimento em dívida soberana portuguesa com yields mais baixas para outro com o mesmo risco e taxas mais elevadas. Também prova que os investidores continuam a acreditar na recuperação da economia portuguesa, uma vez que estão a estender a maturidade dos seus investimentos”.

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A primeira emissão que vai ser recomprada, segundo a informação pública, tinha sido emitida em novembro de 2018 à taxa de 4,95% e o montante é de 498 milhões de euros. A segunda emissão foi emitida em 2017 à taxa de 5,65% e o montante colocado foi de 550 milhões de euros. O IGCP vai emitir dívida a 6 e 13 anos em troca.
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