Portugal sem espaço para relaxar política fiscal, adverte Schroders

Há um novo tempo político em Portugal. É um desafio, mas o país não tem espaço para uma política fiscal mais relaxada, afirma Keith Wade, o economista-chefe da Schroders.


Notice: Undefined offset: 1 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 2 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 1 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 2 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Está a mudar o tempo político em Portugal”, afirma Keith Wade, economista-chefe da Schroders. É um desafio para os investidores a alteração política que esta a decorrer.

O eleitorado espera um relaxamento da política fiscal, dentro de um ambiente que faz lembrar a Grécia e os objetivos do Syriza, mas não há almofada que possa acomodar esse desaperto da política orçamental e fiscal, afirma o economista, à margem da conferência anual da instituição, em declarações ao OJE.

A esperada mudança política não pode ser acompanhada por iniciativas políticas de um menor esforço a nível do controlo da dívida pública e de reformas. O país não tem capacidade para acomodar uma mudança desse género. Os investidores vão continuar confiantes no país pelo simples facto de que a esmagadora maioria do eleitorado é pró-europeu, o que significa submeter-se a regras rígidas em termos de reformas e controlo da despesa pública estrutural, disse ainda o economista.

Portugal não está no radar dos mercados financeiros e as histórias deste ano passam pelas grandes economias europeias, como a alemã, a francesa ou a espanhola. Wade disse que a recuperação de Espanha “é a grande novidade” e revela que os efeitos da austeridade estão a dar resultados, independentemente de existir um movimento anti-austeridade. No global da economia europeia, a recuperação “continua a ser uma ilusão”, disse, e, fora da Europa, o Japão é a grande desilusão. O banco central japonês não seguiu a estratégia delineada noutros países com as políticas do “quantitive easing”. Por outro lado, é comum ver-se uma correlação entre os países em desenvolvimento e os países emergentes, mas isso não está a acontecer. A “aterragem forçada” da economia chinesa está a impactar os investimentos, pois o excesso de capacidade instalada teve como resultado a forte queda das margens de rendibilidade nas empresas industriais do país. Em simultâneo, a redução do consumo interno teve forte impacto nas economias alemã e norte-americana. O fortalecimento do dólar acabou por ter forte impacto nas economias dos países em desenvolvimento. O comércio internacional continua a mostrar sinais de fraqueza.

O crescimento da economia a nível mundial continua a ser reduzido, com uma média na ordem dos 2,9%. A China não fará reformas, mas continuará a apostar nos preços baixos, mesmo no dumping a nível de produtos de consumo, o que significa o regresso às quebras do preços dos bens e a uma inflação baixa, pressupondo que os bancos centrais mantêm a mesma estratégia.

FED
A grande incógnita está na Reserva Federal norte-americana (Fed). O que vai fazer? Vão analisar a economia doméstica, na qual os preços poderão subir, e a economia externa, como é o caso da europeia e da japonesa, onde os preços se vão manter baixos e inflação próxima do zero. “Vamos ver o que acontece em dezembro”, diz Wade. Acrescenta que a Fed tem folga para subir devagar os juros, acomodando a subida do dólar. Sublinha que as intenções da Fed terão de ser clarificadas.

Azad Zangana, economista da Schroders para o mercado europeu, diz que, no Velho Continente, o ano de 2015 correu bem, com a economia mais resiliente e com os anos de austeridade a chegarem ao fim. A Alemanha compensou a perda do grande mercado chinês com a oportunidade europeia e norte-americana e aproveitou a tendência dos preços baixos da energia.

O ano de 2016 será mais moderado. A estratégia de Draghi (BCE) na compra de ativos irá continuar, mas terá de mudar para compras de ativos de empresas e não apenas dívida pública. O crescimento europeu, excluindo o Reino Unido, deverá situar-se nos 1,5% este ano e cair para 1% em 2016. Isto significa que o BCE terá de continuar manter os estímulos e poderá analisar a situação macro em meados de 2016 para um eventual aumento da taxa de juro diretora, desde que a inflação se situe consistentemente acima de 1%. Isso significa a valorização do euro. O BCE fará uma estratégia de testes para ver o comportamento das economias. No Reino Unido, é esperada alguma volatilidade nos mercados com a discussão do futuro da União Europeia ao longo de 2016. A questão do “Brexit” não se coloca, acrescentou.

Por Vítor Norinha/OJE (em Londres)

Recomendadas

Adjudicados últimos seis lotes do concurso para fornecimento de serviços à rede SIRESP

O concurso para fornecimento de serviços à rede de emergência SIRESP foi concluído na segunda-feira, antes do prazo, com a adjudicação dos restantes seis lotes, anunciou hoje a empresa que gere o sistema.

Há um “caminho longo” a percorrer no envelhecimento ativo, diz a ministra da Coesão Territorial

“Sabemos hoje mais sobre as maleitas dos mais velhos e sabemos como as evitar”, sublinhou Ana Abrunhosa, reiterando que “todos queremos envelhecer com qualidade”.

Apoio às famílias pode mitigar desaceleração da economia, prevê Fórum para a Competitividade

O pacote de apoios preparado pelo Governo como resposta à inflação pode mitigar a desaceleração da economia, mas o próximo ano apresenta-se repleto de riscos de desafios. Salários reais devem voltar a cair, prevê o Fórum para a Competitividade.