Portugal é o terceiro país com maior queda das insolvências, contrariando a tendência mundial

Um estudo levado a cabo pela COSEC prevê que Portugal encerre o ano com uma queda das insolvências a rondar os 18%, estimando-se que no próximo ano a tendência de decréscimo se mantenha, fixando-se nos 7%.

Reuters

Portugal vai fechar o ano com uma descida de 18% no número de falência de empresas, ficando em terceiro lugar na lista de países com maior estimativa de queda das insolvências. Os dados são da seguradora de créditos COSEC, que prevê ainda que em 2017 esta tendência se venha a manter.

Segundo o estudo “Economic Insight 2016-17: Tectonic shifts and risk of local tremors”, a nível mundial, o crescimento da economia não está a mostrar resiliência suficiente e, embora sejam pouco expressivos, os dados mostram que as grandes falências estão a aumentar, ao mesmo tempo que os prazos de pagamento às empresas não melhoram.

O estudo prevê que 2016 vai terminar com um crescimento de 1% das insolvências em todo o mundo, especialmente nos países emergentes e nos Estados Unidos. Este será o primeiro aumento no número de as insolvências desde a crise financeira de 2009.

As estatísticas apontam ainda para um agravamento destes valores em 2017 devido “às mudanças políticas” e “instabilidade política” que se farão sentir sobretudo em 2017, com repercussões no “crescimento e nas trocas comerciais a nível global, com efeitos prolongados”.

“Neste contexto de mudança e instabilidade política, são esperadas turbulências severas, com impacto a nível local e global e efeitos prolongados: agitação financeira, perturbações estruturais do comércio e dos produtos serão fatores a considerar pelas empresas ao longo do próximo ano”, avançam os autores do estudo.

Em países como o Brasil as consequências parecem ser já evidentes, prevendo-se para 2017 um aumento de 15% nas insolvências de empresas. Segue-se Singapura (15%) e a China (10%). No Reino Unido, o impacto das negociações do Brexit no setor privado deverá levar a um aumento de 8% das insolvências em solo britânico.

No entanto, Portugal deverá manter-se em cenário positivo, contrariando a tendência global. As estatísticas apontam para uma queda de 7% nas insolvências no próximo ano, sendo apenas ultrapassado pela Dinamarca (-19%) e Lituânia (-10%).

2017 poderá trazer um aumento do protecionismo

É esperado que o comércio global recue 4% no próximo ano, devido “aos choques na procura inerentes às atuais crises no Brasil e na Rússia, aos ajustamentos estruturais na procura provenientes do reequilíbrio da China e à autonomia energética nos EUA”.

Com isto, espera-se que surjam novas medidas de estímulo fiscal para apoiar o crescimento, assim como políticas industriais mais fortes, focadas em reformas estruturais, inovação e financiamento.

“O protecionismo será uma tendência global crescente, com implicações no aumento dos custos de importação”, indica a COSEC.

Embora tenha registado um leve crescimento em 2016, o setor privado pode trazer algumas incertezas aos investidores nos próximos anos. “Prevê-se uma acumulação de dívida e, por outro lado, de capital, aprofundando a divisão entre a riqueza existente e a vontade de arriscar por parte das empresas”, conclui o estudo.

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