Portugal ultrapassa zona euro e escapa da recessão em 2023, prevê Credit Suisse

Crescimento económico acima dos pares europeus no próximo ano e inflação abaixo da média da zona euro.

Portugal vai escapar da recessão no próximo ano, ao contrário da zona euro, prevê o Credit Suisse. O país vai crescer 0,8%, um valor que contrasta com a contração de 0,2% esperada para o conjunto do bloco monetário.

“É provável que a economia portuguesa tenha um desempenho superior ao dos seus pares europeus em 2023, mas os elevados níveis de inflação e o aperto das condições financeiras pesarão, ainda assim, nas perspetivas económicas”, começa por analisar o banco suíço.

“Prevemos que o crescimento seja ainda mais moderado, mas não esperamos uma recessão total. O mercado de trabalho mantém-se resiliente, os indicadores de alta frequência apontam para um crescimento ainda positivo e o governo espera gastar cerca de 2% do PIB dos fundos da Próxima Geração UE no próximo ano. De um modo geral, esperamos um crescimento real do PIB de 6,7% em 2022 e de 0,8% em 2023”, pode-se ler na nota de research.

“A atividade abrandou nos primeiros três trimestres de 2022, após uma forte recuperação pós-pandémica em 2021. O abrandamento tem sido impulsionado por um crescimento mais fraco do consumo privado devido à inflação elevada e à baixa confiança dos consumidores, embora alguma da fraqueza tenha sido compensada por fortes exportações devido ao boom turístico deste verão”, acrescenta.

Em relação à inflação (10,7% em outubro), o CS espera que esta diminua “nos próximos trimestres à medida que o aumento dos preços da energia e dos alimentos se modere, embora apenas gradualmente. De um modo geral, esperamos uma inflação média de 8% em 2022 e de 4,5% em 2023, ambas abaixo da média da zona euro”, 8,6% previstos no final deste ano e 6% em 2023.

O CS destaca que será um “bom ano para a maioria dos investimentos alternativos com hedge funds que se espera que proporcionem rendimentos acima da média e 2023 será também provavelmente um bom ano para o capital privado. Os secundários e a dívida privada devem ter um bom desempenho”.

O banco aponta que os valores de capital imobiliário estão “sob pressão devido a taxas de juro mais elevadas, mas os princípios básicos de financiamento devem permanecer sólidos em sectores com fortes fatores de procura estruturais, como a logística. Neste cenário, destacamos como chave a diversificação, a devida diligência de investimento, bem como a gestão dinâmica de ativos para melhorar os fluxos de rendimentos de aluguer”.

O desempenho orçamental do país “tem sido consistente: o défice diminuiu substancialmente nos últimos dois anos e poderá transformar-se num excedente no próximo ano, apesar de um crescimento mais fraco e de taxas de juro nominais mais elevadas. Isso deverá, por sua vez, permitir que o rácio da dívida em relação ao PIB diminua nos próximos anos”.

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